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 Sala de Registros

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Mnemósine
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MensagemAssunto: Sala de Registros   Seg 15 Out 2012, 14:05

A sala é como um escritório comum, com estantes e arquivos metálicos abarrotando todas as paredes. Uma escrivaninha fica ao fundo, com uma poltrona confortável e duas cadeiras a sua frente, Um divã a um canto serve de descanso para aqueles que chegam em piores condições, assustados demais para se firmarem. Aqui, é a primeira passagem dos semi-deuses, onde relatam sua chegada a Quíron ou ao Sr. D.
E onde tudo é registrado.

Obs: em termos de jogo a história é opcional, mas rende de até 50xp se postadas.

____

A.k.a.:
 


“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”.
(Emília Viotti da Costa, historiadora)


Última edição por Mnemósine em Qua 17 Out 2012, 22:13, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Qua 17 Out 2012, 02:15

Aldebaran Smiths chega ao Acampamento.

Para que perdemos tempo com longas histórias se eu posso resumi-la em alguns minutos? Sim, porque, além de tudo ainda tenho que terminar esse escudo aqui. Hefesto é meu pai, vocês já devem ter percebido isso com todos esses martelos, metais e coisas para fabricar armas que estou rodeado. Mas vocês não sabem como isso aconteceu. Eu ainda estava no colégio, achando que era um garoto qualquer interessado por engenhocas e parafusos quando tudo mudou de uma ora para outra. Dois garotos desengonçados pediram para conversar comigo e revelaram-se sátiros que haviam vindo me buscar para um tal de Acampamento Meio-Sangue e que eu era um semideus, ou seja, filho de um deus olimpiano. Óbvio que eu comecei a rir da cara dos dois, dizendo que eles só poderiam estar malucos e coisa e coisas do gênero. Grande erro, um cavalo alado simplesmente surgiu da janela que eu estava de costas e os sátiros me empurraram, fazendo com que eu caísse no cavalo. Pronto, a loucura toda estava tomando realidade. Vim parar no acampamento e, curiosiando por aí, acabei escorregando e caindo na fogueira principal, onde todos os chalés estavam reunidos comemorando. Primeiramente o temor tomou conta, um corre-corre geral tentando me ajudar, mas, incrivelmente eu não havia tido nenhuma queimadura, aliás, nem sentia o fogo em meu corpo. Aquilo era impossível, inacreditável. A perplexidade tomou conta do acampamento, ainda mais depois que a imagem de uma bigorna pairou sobre minha cabeça e então levou uma marretada de um martelo gigante. Um pequeno grupo festejou, se não me enganava, era pó grupo do chalé número nove, filhos de Hefesto. É, acho que o resto vocês sabem, não? Agora, se me dão licença, preciso me concentrar em meus metais.


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Luana Crowford
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Sex 07 Dez 2012, 22:42

Olá! Sou Luana moro em LA, tenho 15 anos, não gosto muito de pessoas, mas tento conviver com elas. Elas me dão muita atenção, então acabei me acostumando com isso...

Em Casa: Moro com um homem, o nome dele é Aleksander, mas geralmente eu o chamo de pai. Ele diz que minha mãe apenas me entregou para ele, quando tento tocar no assunto ele foge da conversa de algum jeito, ele sempre consegue me convencer de que ela foi embora, mas ela é uma pessoa maravilhosa que nunca faria isso se não fosse uma coisa muito importante... Mas qual? Ele nunca quis me dizer... Ele é até bonito, trabalha como Advogado, e têm forte poder de Persuasão... Eu pareço ter herdado um pouco disso, pois sempre consigo convencer as pessoas do que quero, devo ter observado todos estes anos, treinando para falar com o juiz. Sou muito parecida com ele, loira, alta e também temos uma marca, quase idêntica a dele nas costas, que parece um coração. Ele é legal, uma das únicas pessoas em qual eu não me importo em que me dê atenção, na verdade, ás vezes busco isso dele.

Na Escola: Eu não aguento a escola! Ela só ensina as coisas que eu já aprendi, é realmente um saco, eu vejo tudo muito confuso ás vezes, mas a matéria é fácil, o difícil é suportar a contínua repetição das matérias, por isso, não consigo ficar parada, o que faz com que as pessoas prestem mais atenção em mim. Humanas é meu forte, apesar de não gostar muito de estar com as pessoas sinto que é um dom, aprendi com meu pai. Na hora do lanche, minha mesa fica rodeada, as pessoas querem me ouvir, ver o que eu tenho para falar de interessante ou de inteligente, não que eu fale coisas interessantes, muito menos coisas inteligentes. É que eu sou a garota popular do colégio, e todos querem estar perto de mim, sempre. E... eu também sou a Líder de Torcida Chefe... Ou pelo ao menos era antes de chegar aqui. E você? Quem é? E por qual motivo me trouxe aqui?



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Arya W. Lewins
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Sab 22 Dez 2012, 12:51



Arya Lewins




Se eu pudesse voltar no tempo... onde um futuro desse tipo poderia não ter acontecido. Se, naquele dia, eu não tivesse te conhecido, esse poderia ter sido um mundo inesperadamente chato.
Naquele dia... muito comum... Naquele dia, eu estava esfregando meus olhos vermelhos. Naquele dia ofuscante de verão... Certamente ... Eu não vou esquecê-lo amanhã, também.


Amber, Maine


Era o inicio do verão, as aulas acabariam em menos de um mês e eu estava sendo transferida de colégio. A vida era absolutamente ordinária, tão ordinária quanto poderia ser para mim.
Minha mãe havia morrido quando eu nasci e meu pai antes disso, então fui mandada para um orfanato. Aos três anos de idade, fui adotada mas menos de um ano depois, me mandaram de volta pois o casal tivera um filho.

Agora... bem, agora minha guarda estava nas mãos de uma empresa de advocacia. Parecia que meu pai era membro deles antes de morrer e havia pedido no testamento para que cuidassem de mim, então...
Em breves palavras, eu era rica embora odiasse isso. Eu morava sozinha na cidade, em um apartamento flat. Eu normalmente tinha problemas na escola, mas não eram culpa minha.

A minha relação com as pessoas... bem, era complicado.
Quando alguém se aproximava demais, coisas ruins aconteciam.

Mas, lá estava ele. A partir daquele dia, o mundo mudaria e os céus começariam a se mexer, na sua trama eterna para me destruir.

- Muito bem, todos sentados - pediu o professor - Temos uma nova estudante hoje!

- Ah... Meu nome é Arya. É um prazer conhecer todos vocês.


Aqueles olhos azuis estavam lá, me observando. Os cabelos loiros eram tão claros que pareciam ser brancos e ele era uma estranha mistura de príncipe e rebelde.
Eu sorri, me refletindo quanto tempo eu aguentaria.

Alguns meses depois...

Sentada naquele balanço como sempre, eu olhava a neve cair preguiçosamente naquele dia 4 de fevereiro. O dia estava agradável e frio, as nuvens cobriam o céu, mas haviam veios de luz entre elas.

Alguém colocou um fone de ouvido na minha orelha e eu apreciei a musica por uns segundos. Depois, falei o nome da musica e da banda.

- Correto novamente - informou Joseph, se sentando no balanço ao lado, nós dois ligados pelos fones de ouvido. Na sua mão direita, ele carregava uma garrafa térmica e na esquerda, a sua mochila.

- Parece aquele dia -falei, remexendo a neve aos meus pés sem ter nada para fazer. Um floco caiu no meu nariz e se desfez em água. O menino de cabelos louro-prateados também olhou para o céu com a memória.

- Aquela foi a primeira vez que você chamou o meu nome - ele se lembrou - Agora você me chama basicamente todos os dias para te ajudar.

- Ei! - critiquei ele. Seph estendeu para mim um copo fumegante de chocolate quente que ele havia servido - Hoje você vai cozinhar.

- O que? -
ele falou, chocado, olhando para mim. Como resposta dei um sorrisinho - Você não estava falando que ia comer uma pizza agora a pouco?

- É o meu pagamento -
expliquei, tomando um longo gole do chocolate fumegante - Você é o melhor cozinheiro que já vi.

- Obrigada, srta. Lewins -
ele respondeu enquanto eu passava a xícara para ele - Aposto que você come porcaria todo o dia. É mesmo uma criança!

- Sim, sou uma criança! -
falei para ele, dando a língua. Seph tomou um gole de chocolate quente como resposta - Hey, Seph. Obrigada por resolver para mim o problema da Lisa outro dia. Se eu fosse expulsa por causa daquilo, não saberia o que fazer.

- Isso não é óbvia? Eu iria atrás de você se você fosse expulsa, Arya -
ele falou, guardando o chocolate quente na mochila - Sei que não foi uma ilusão, a Lisa. Confio em você. E você não duraria cinco minutos sem mim.

- Obrigada -
disse, irônica - Quem é a criança aqui, agora?

- Continua sendo você.

- Ah, vai catar...! -
eu me interrompi no mesmo instante, depois de refletir um instante - Quer saber, é verdade. Se eu fosse uma adulta, me sentiria realmente desprotegida. Diferente de você, eu sou uma idiota. Não posso fazer nada por mim mesma, uma realmente inútil. Se eu não tivesse os adultos para me ajudar, não sei o que faria.

- Você é sincera demais -
Joseph comentou, bagunçando os meus cabelos. Os fios negros se espalharam pela minha face e eu encarei seus olhos azuis, embora ele olhasse para algum ponto do horizonte. Eram estranhos: límpidos, claros e cristalinos, como uma lagoa. Mas eram quentes e passavam uma sensação de tranquilidade - Eu te ajudarei a resolver os seus problemas, você sabe.

- Masoquista. Eu queria te ajudar também -
ambos rimos.

Antes de irmos para a minha casa, passamos na loja de conveniência para comprar o que precisávamos para fazer um jantar. Eu era uma grande desastrada em cozinhar e minhas habilidades só atingiam dois campos: desenho e leitura. Notas? Desastre. Esportes? Desastre. Tarefas domesticas? Desastre.
Literatura? Desastre.

Eu tinha dislexia e mesmo assim gostava de ler. Eu sei, isso é estranho. Esse habito foi passado a mim por uma amiga minha chamada Lea: ela era muito estranha. No colégio, ela era uma loba solitária igual a mim, quando nos tornamos amigar era muito estranho nós ver juntas. Também era um rato de biblioteca que amava contos mitológicos e historia onde meninas viravam mais que amigas.
Haviam vários livros desses na biblioteca, até ela roubar todos. Ela fez a sua própria biblioteca particular, então... coisas ruins aconteceram…

Já desenho... bem, eu já era boa nisso quando era pequena, mas desenhar virou verdadeiramente um habito quando eu estava sobre a guarda de uma mulher chamada Violet. Ela tinha bastante dinheiro e era bem rica, porém não tinha filhos. Foi a última pessoa que me foi a minha tutora antes de eu ficar na custodia da empresa de advocacia, mas ela queria ser minha mãe adotiva.
Em poucas palavras, a minha vida lá era um inferno. Haviam duas pessoas que eu gostava lá: Lucca, um empregado italiano que deveria ter uns dezessete na época e um menino.

Se eu desenhava, era culpa daquele garoto. Não me lembro do rosto ou do nome dele, mas por alguma razão não podíamos nós falar, então desenhávamos. Talvez ele tivesse mais ou menos minha idade nós dias de hoje. Alguns meses mais velho, talvez?
Coisas ruins aconteceram com aqueles dois também.


- Arya? Está tudo bem? - Seph perguntou. Eu havia ficado um pouco aérea alguns momentos. Eu corei e peguei a sacola de supermercado.

- Sim. O que teremos para a janta hoje? - perguntei para o garoto. As vezes eu me perguntava onde Joseph morava: costumávamos nós encontrar no parque onde eu estava depois das aulas e ficávamos andando pela cidade ou íamos até o meu apartamento.
Havia uma espécie de acordo entre mim e Seph: exceto pela hora do almoço onde poderíamos fugir da sala, não conversávamos na classe. Pessoas poderiam entender aquilo de maneira errada: eu era a menina mais popular e odiada da sala e ele o garoto mais popular da escola. Normalmente, ele fazia varias meninas chorarem quando recusavam as suas declarações e eu... bem, os meninos haviam parado de me encher quando perceberam que eu não queria nada com ninguém mas eu ainda recebia bilhetinhos e era bastante odiada pelas meninas.

Uau, que novidade. Me odiavam. Pelo menos, nada mais grave havia acontecido... que Seph ficasse sabendo. De certa maneira, ele e Lea eram iguais: extremamente possessivos. Lea se virou contra varias pessoas para me proteger, igual a Seph...
Eu não conseguiria meter os dois em apuros por uma situação tão simples.

- Eu estava pensando em fazer bife a bife de frango parmegiana e macarrão ao alho e óleo - ele comentou, corando. Minha boca se encheu de água com a perspectiva de comer algum macarrão que não fosse yakisoba comprado no restaurante chinês ou noodles instantâneos.

- Ah, é mesmo! Sua mãe é da italiana, né, Seph? - perguntei e imediatamente percebi que não deveria ter tocado no assunto. Eu evitava falar sobre a minha família com outras pessoas, mas para ele... aquilo era um verdadeiro tabu.

- É o que me dizem - ele comentou, frio. Sua voz era como uma lagoa... clara, fria. Estranha.
Então paramos repentinamente e eu tampei a minha boca para não gritar. Outra pessoa fez isso por mim, uma menina que tinha uns doze anos.

A visão era terrível e, de certa forma, eu não conseguia parar de olhar para ela. Do outro lado da rua, o pequeno corpo estava incapaz de fechar os olhos. Ele olhava para o céu que começava a escurecer, buscando alguma estrela. A neve ficava vermelha e derretia com o contato com o seu sangue.

O menino estava morto, pedaços de vidro fincados no seu corpo e seus membros espalhados em posições estranhas. Ele havia sido atropelado por um caminhão.

Eu queria ir até a menina que chorava e consola-la, mas Seph tampou os meus olhos. Um coro inquieto ressoava nos meus ouvidos, dizendo que aquilo estava errado... não era a hora ainda. Aquilo não precisava de acontecer...

- Não olhe - ele me aconselhou. Eu queria agradecê-lo por ter feito aquilo, caso contrario, nunca desviaria os olhos do corpo. Mas eu queria ter uma última visão daquilo... - Vamos por outro caminho, ok?

O seu tom de voz tornava claro que o acidente não era a única coisa que o fazia sugerir aquilo.



Cozinhamos e comemos em silencio chegando em casa. Como poderíamos ter uma noite animada se havíamos visto o futuro ser pisoteado do outro lado da rua?
Não aguentando mais o clima tenso que havia se instalado na mesa, eu me levantei e fui até o banheiro. Trancando a porta atrás de mim, liguei a torneira e me encarei no espelho. Meu cabelo negro estava um pouco desgrenhado e a minha pele mais pálida que normal. Assim como Seph, eu também tinha olhos azuis, embora fossem mais escuros e tivessem pequenas manchas de cor mais clara. De qualquer forma, aqueles eram olhos amaldiçoados.
Quem olhasse para eles desaparecia. Havia sido assim com ele, com Lucca e com Lea. Quanto tempo demoraria para que Seph também deixasse de existir?

Por que... por que eu ainda não havia desaparecido? Por que eu tinha que aguentar toda a dor dos que ficaram?
Em um gesto instintivo, eu ergui a minha mão e quebrei o espelho. Os cacos feriram meu punho e alguma força me empurrou para trás. Eu bati a minha cabeça contra a porta e minha visão ficou escura.

Eu tinha uma leve sensação do que acontecia a minha volta... a porta se abriu, Seph gritou. Me senti sem peso, então senti o chão em baixo de mim. Quando abri os olhos, aqueles dois olhos azuis me encaravam com intensidade.
Gritei e tampei o meu rosto.

- Não olhe! - implorei, chorando. A minha mão ferida doía demais, mas eu não me importava com isso - Por favor, não olhe! Se você olhar, vai desaparecer também!

- Arya... -
Seph falava com a voz tranquila. Alguma coisa quente como um cobertor caiu sobre a minha cabeça e eu a agarrei, tentado cobrir o rosto. A sensação era ligeiramente familiar... o moletom de Seph? A musica encheu os meus ouvidos e eu senti aquela mão quente do lado do meu rosto. Ele tirou as minhas mãos de cima dos meus olhos e me encarou fixamente - Eu também vivo com medo de desaparecer, mas a vida não seria bem melhor com isso?

Eu o abracei e as lagrimas rolaram pelo meu rosto. Seph ainda estava do meu lado, me consolando, quando eu parei, mas ele não fez nenhuma tentativa de tentar me fazer parar de chorar.
Eu me afastei um pouco do seu ombro e corei, percebendo o que havia feito. Tentei me afastar e encostei com a minha mão direita no chão. Gritei. A dor foi forte e a recolhi contra o corpo, manchando meu uniforme com sangue.

- AH! Me desculpe! Só um instante, Arya! - ele parecia surpreso, como se tivesse esquecido completamente do estado da minha mão. Se fosse possível, ele estava ainda mais vermelho que eu. Seph pegou sua mochila, foi até mim e fez um curativo improvisado.

- Não... está tudo bem. Você queria ser médico, Seph? - falei, observando o curativo. Era incrivelmente bem feito e parecia que o garoto mantinha itens de primeiros socorros consigo.

- Não, é apenas um truque útil que eu aprendi - ele disse, constrangido. Eu desviei o olhar pois não havia mais nada para fazer - Arya, você é surpreendente. A cinco segundos atrás, você estava chorando e agora já voltou para a sua personalidade alegre.

- C-cale a boca! -
falei, corando bastante. Eu ia usar a minha mão direita para tampar meu rosto, mas a dor me impediu de fazer qualquer coisa. Suspirei - Ei, Seph...

- Certo. Isso é tão bonitinho que me faz querer vomitar. Podem parar logo com isso e começarmos a falar do que importa? -
uma voz feminina perguntou. Me virei rapidamente: havia alguém no vão da porta - Arya Lewins... eu estou aqui para tomar a minha alma de volta.

Aquela era... eu? Os mesmos cabelos negros, os mesmos olhos azuis... Porém ela tinha uma aparência psicopata no rosto. Com a mão direita, segurava um pedaço de vidro.

- Há quanto tempo - comentou Seph. A menina imediatamente o encarou e ficou pálida - Arya… Fuja. Você sabe bem onde me encontrar. Fique o mais longe que puder.

- Você... Você!! -
a outra eu gritou. Eu simplesmente queria me encolher - Sabe o que é ficar presa naquela droga de espelho por seis anos??

- Você não se lembra do Tártaro? -
ele perguntou. Eu me perguntava como Seph queria que eu fugisse naquela situação, exceto que ele esperasse que eu pulasse a janela...
Se bem que estávamos no primeiro andar.

- Estou aqui apenas para tomar a minha alma de volta! - ela gritou. Gelo percorreu o meu corpo - Fique fora disso!

Antes que qualquer um de nós dois pudesse reagir, ela atravessou o cômodo em velocidade inacreditável. Seph me jogou para o lado, assim como jogou Arya. Eu senti que ele colocava algo em minha mão. Ela teve um pouco mais de sorte em aterrissar que eu.

- Saia do meu caminho!

- Arya! Agora!


Eu corri, apertando o que quer que Seph havia me dado, e me joguei na janela. O vidro cedeu e quebrou enquanto eu despencava em rumo ao chão, mas os meus cortes foram superficiais. Uma árvore amorteceu a minha queda.
Suspirei. Parecia que estava tudo bem, exceto pelo barulho de metal contra metal que vinham do andar de cima. Olhei para o que Seph havia me dado: uma faca ou adaga. Era estranho não ter me cortado.

Desci da árvore da melhor maneira que eu consegui. Os sons haviam parado no andar de cima. Disparei pela recepção e pela escada, chegando no apartamento.

Eu tentei abrir a porta. Trancada.

- Vamos! Abra! - falei comigo mesmo, tentado abrir a porta, a adaga na outra mão. Finalmente desisti e dei um passo atrás, chutando a fechadura e a quebrando. Escancarei a porta.

Lá estava Seph, estranhamente imóvel: Arya tinha as mãos na sua garganta. Ela sequer olhou para mim, tão entretida na tarefa de mata-lo que estava.

- Não toque nesse homem - falei, com a voz fria. Sem hesitação, eu havia atravessado a sala e fincado a adaga nas costas dela sem nenhum remorso - Pois ele me pertence.

A Arya falsa de desfez em pó e eu cai de joelhos. Seph se levantou assim que o peso saiu de cima dele e me abraçou. Não precisava. Eu faria aquilo de qualquer maneira, buscando algo familiar.

- Desculpe-me, Arya - ele murmurou no meu ouvido. Eu tremia das cabeças aos pés, sem saber o que aconteceria em seguia - Eu juro que te explicarei tudo mais tarde, mas agora concentre-se em ficar viva.


New York, New York


Eu me joguei na cama e fechei os olhos por um segundo, tentando me lembrar onde estava e que nome falso eu estava usando. Arya Redmont. Ou era Arya Castlemont?

Não fazia diferença. Eu teria que fugir de lá, logo. O dormitório feminino estava em completo silencio. Eu estava sozinha ali.
Eu tinha que começar a juntar as coisas que eu não havia roubado dali e preparar a minha mala, mas algo me impedia. Durante cinco meses, as coisas haviam corrido daquela maneira: encontrávamos uma casa que estava vazia ou um colégio e convencíamos as pessoas com a Névoa que ou sempre havíamos morado lá, ou estávamos nós mudando e éramos novos na região. Quando monstros atacavam, só lutávamos quando o necessário e tentávamos fugir o mais rapidamente.

A historia oficial é que Arya Lewins e Joseph Wright, filho da famosa empresaria Emilia Wright, haviam sido sequestrados no dia 13 de fevereiro em Amber enquanto iam para a casa da garota. O estratagema havia funcionado bem até agora: se precisássemos de dinheiro, ligávamos para a companhia de advocacia e eles transferiam quantos dólares precisássemos para o meu cartão, então sacávamos tudo no caixa eletrônico mais próximo e dávamos um jeito de sumir da face da terra até as investigações no local tivessem cessado.
Eu desconfiava de Seph: havia escutado o sobrenome dele apenas uma vez e tinha certeza que não era Wright. Ele estava escondendo coisas de mim, eu sabia disso, mas não fazia diferença: ele havia mentido para mim desde o dia que nós conhecemos até o dia que a Arya espelhada havia surgido no meu apartamento.

Aparentemente, as coisas continuariam assim por mais um tempo. Eu me levantei da cama e me sentei na janela, observando o dormitório masculino do outro lado. Se eu ou Seph quiséssemos, poderíamos invadir o quarto um do outro a partir de uma grande árvore que havia entre os dois dormitórios: os quartos eram um na frente do outro. Ele estava tocando piano quando eu olhei e sorri: piano, além de esgrima e varias outras coisas, eram uma das habilidades dele que eu havia descoberto nos últimos meses.

Ele me viu e eu corei, desviando a face para o outro lado. Era tarde demais para fingir que eu estava olhando por acaso. Seph foi até a janela e pegou um bloco de desenho. Quando eu li o que estava escrito, eu quase soquei o seu rosto.

Você está bem?

Bem quanto possível, respondi, usando uma folha que estava perto de mim e caneta vermelha. Eu o observei enquanto virava a folha do bloco e escrevia alguma outra coisa. Tamborilei os meus dedos pela janela.

Você consegue desenhar?, estava escrito no papel. Eu quase dei um sorriso tímido. Ao lado da caligrafia em azul, havia um desenho, talvez representando o próprio Seph. Usando o verso do papel, eu respondi.

Um pouco, estava escrito, com uma menina desenhada me representando. Ai eu verdadeiramente sorri. Guardanapos, menus, folhas de caderno... sempre que eu podia, eu desenhava tentando buscar um pouco de normalidade. Eu me sentia bem, podendo desenhar com tempo, e como Seph fazia aquilo era nostálgico. Acrescentei mais algumas palavras na folha: espere ai.

Voltei alguns segundos mais tarde com um bloco de desenhos igual ao de Seph. Ficamos a tarde inteira naquilo, até que o sol se posse e não houvesse muita luz para nos enxergarmos. O menino iria desenhar uma última coisa, mas desistiu e guardou o bilhete dentro do bolso.

Precisamos conversar, espere um pouco, ele escreveu no lugar e abriu a janela de seu quarto, saltando para a árvore e depois para o meu quarto.

- Vamos ter que nós mudar de novo - ele falou, sem rodeios, se ajeitando na minha cama.

- O que? - falei, chocada. Nunca havíamos ficado tão pouco tempo em um lugar só: o atual campeão era Vegas, de onde havíamos fugido em dois dias. O tempo recorde era San Francisco: pelo visto, Seph tinha conhecidos por lá, embora eu não tivesse encontrado nenhum - Estamos aqui há umas doze horas!

- Já nós acharam? -
ele falou, suspirando. O gelo percorreu a minha espinha e eu sabia que era bom eu arrumar as malas.

- Monstros? - perguntei, por mera força de habito. Humanoides, bestas: quase todos queriam nós matar.

- Não - ele respondeu, negando com a cabeça - Uma coisa um pouco pior... são pessoas como nós.

- Como assim...

- Eles ouviram rumores que dois como eles estão por aqui -
Seph explicou pacientemente - Normalmente, deixariam que essas pessoas fossem até eles, mas na situação atual... bem, eles querem saber se terão novos recrutas ou dois inimigos para matar.

- E?

- Você não os conhece como eu conheço. Arya, eu não vou te deixar morrer, mas também não posso te entregar para eles -
havia algo diferente na voz de Seph. Misturado com a sua determinação havia... desprezo?

- Antes de irmos... - eu murmurei. Quando percebi que estava falando o que vinha a mente, me calei - Não, esqueça. Vou tomar um banho e arrumar as minhas coisas. Te encontro daqui a pouco.



Cinco minutos depois de sairmos do prédio, já havíamos enganado todos os seguranças e estávamos esperando um taxi quando começamos a ouvir lobos. Instintivamente, toquei a adaga que eu mantinha escondida nas vestes. Seph também estava nervoso.
Depois desse silencio que durou por tempo indeterminado, o taxi chegou. Não houve brigas, não houve discussões. Normalmente dávamos para o motorista um rolo de notas e pedíamos para ele rodar para fora da cidade o quanto aquilo durasse enquanto discutíamos o que faríamos a seguir. Nesse caso, eu estava absolutamente perdida.

- Farm Road, 3.141. Pode cobrar o dobro se for depressa - Seph pediu, com poucas palavras.

- Protetor?

- Estou mais para um refugiado -
ele explicou. "Refugiado", o garoto me dissera, era um termo comum para pessoas como nós: que estavam constantemente mudando de lugar e que atraiam monstros. Quanto a protetor... eu não fazia ideia.
Mas o motorista pareceu entender e disparou pela estrada escura. Em quinze minutos, o carro parou e descemos. Seph jogou um grande rolo de notas no banco de trás, provavelmente tudo que tínhamos no momento.

Havia uma floresta lá perto. Começamos a correr para lá.

- O que você está fazendo, alien pervertido? - exigi, o seguindo de perto. Registrei o fato de como ele parecia estranho naquele momento: distante... surreal.
Frio.

- Eu já te disse. Tentado te manter viva.

- E você, Seph? -
perguntei. Eu confesso: era uma criança chorona - O que você acha que eu vou fazer se eu morrer? Eu já te disse, sou uma idiota. Não vou aguentar nem cinco minutos sem você! E eu estou chorando agora, droga!

- Arya! -
ele pareciam um pouco... impressionado. Paramos e eu enxuguei as lagrimas do meu rosto, o encarando fixamente. Aqueles "olhos"... "Eu tenho medo de desaparecer também", o que ele queria dizer com aquilo? - Eu não vou morrer!

- Promete? -
perguntei, soando como uma criança. Eu estava prestes a chorar de novo.

-Francamente, Arya. Você acha que eu faria algo assim? Sempre que você quiser, eu estarei do seu lado. Eu te... - seus olhos ficaram opacos e uma pequena lagrima deslizou pelo seu rosto.
Era a primeira vez que eu o via chorar. Então Seph olhou para um ponto atrás de mim e arregalou os olhos enquanto caia. O sangue empapava o lado direito do seu corpo.

Eu gritei.

- Um traidor a menos - constatou a pessoa que o havia atacado. Eu não saberia dizer exatamente se era um garoto ou uma garota: esguio, porém alto demais. Sua voz me enganava, seu rosto me enganava. E eu estava simplesmente chocada. Saquei minha faca - Ei, você vai seguir os passos desse covarde?

- Ele não...

- Sim, ele sim. Fugiu de todos nós. Tudo por que ele era covarde demais para lidar com algumas mortes e tinha medo que a sua preciosa boneca de trapos morresse... você vai seguir os passos dele? Ou vai se mostrar uma nova recruta? -
ela falou [e assim me referirei]. Mas o inicio foi o que me chocou. Não... estava errado. Eu era uma idiota, uma covarde chorona, mas Seph não havia desistido de mim. Ele não faria aquilo.
De certa forma, eu vi que a morte não era tão repugnante assim.

- Que mente pequena... - Seph falou com uma risada sem emoção. Eu me virei rapidamente e o vi pressionando o machucado - Não pense que eu vou morrer só com isso. Arya!

- Sim? -
perguntei, mesmo sabendo o que ele diria.

- Se você continuar descendo a partir daqui... encontrará um riacho. Siga o curso dele e vai chegar em um lago. Você vai estar a salvo lá. Não se importe comigo, apenas vá! - ele pediu, mas fraquejou. Eu me impedi de estraçalhar a maldita travesti.

- Já acabaram? - a garota com a adaga perguntou. Ela parecia estranhamente camuflada em meio a escuridão.

- Quem disse que você tinha escolha? - Seph me empurrou para o lado e sacou as suas armas, duas adagas, e avançou. Eu comecei a correr na direção oposta, chorando.

Não morra... seu idiota...

Eu apenas corri, corri e corri. Meu desejo era de voltar... ajudar aquele grande imbecil. Havia tanta coisa que eu queria dizer quando estivéssemos sozinhos, eu simplesmente não encontrava palavras.
Eu tinha medo de colocar aquilo no papel, com medo do que eu poderia criar. Eu tinha medo que a chuva viesse e trouxesse o fim daqueles dias de inocência.

Ele não se importava. Seph havia encarado a chuva e cuspido nela. As lagrimas se misturavam com o meu suor. Cair e morrer parecia uma boa opção.

Então eu percebi... que aquilo estava errado. Parei bruscamente e virei para o outro lado no instante que eu vi o riacho. Pulando sobre um tronco caído no meio do caminho, eu sabia exatamente o que tinha que fazer.

Eu iria salvar aquele idiota.



O metal se chocando contra metal foi o primeiro som que escutei quando me aproximei de onde Seph e a garota duelavam. Algo estava estranho: enquanto eu observava das sombras, percebi que Seph fazia movimentos desnecessários demais, as vezes atacando onde sequer era preciso.

Ilusões, mas aquela era uma ilusionista fraca: para criar tantas ilusões convincentes, ela estava se esforçando ao máximo. Eu peguei uma pedra que estava perto de mim e joguei nela, gritando. Ela olhou para mim, desviando os olhos de Seph e este a matou sem pensar duas vezes.
A ilusionista desapareceu em uma explosão de pó e o garoto cedeu. Eu corri até lá e o segurei da melhor maneira possível antes que ele caísse no chão. Eu cai também.

Tudo iria acabar daquela maneira por causa de um copiador?

- É minha culpa, não é? - eu perguntei, lagrimas despencavam do meus olhos. Era óbvio que Seph estava muito ferido: as suas roupas estavam ensopadas de sangue e ele tremia, frio.

- Não, foi a minha escolha - ele disse, com um pequeno sorriso. O menino afastou os cabelos da minha face - Era melhor isso que fazer nada. É tarde demais para eu me redimir de meus erros, também.

- Mesmo eu sendo falsa?

- Você não é falsa, Arya... -
Seph começou a fechar lentamente os olhos. Eu aproximei lentamente a minha face da dele - Você é e sempre foi... a Arya. A raiva, a simpatia, a tristeza, a determinação, o desanimo e também o sorriso... eles eram só seus.

- Não me deixe sozinha -
pedi, meu rosto molhado. Encostei a minha testa na dele. Os olhos de Seph estavam vermelhos, a sua respiração estava estranha. Os lábios dele estavam rachados...

- Nós vamos nos encontrar de novo - ele disse. Provavelmente, eu me machucaria muito se fizesse aquilo... - Talvez você não saiba quem sou eu e eu não saiba quem é você, mas prometo que nós encontraremos novamente.

- Sim... ai não haverão mentiras e então conversaremos sobre tudo! -
eu falei, tentando soar animada com aquilo. Nossos rostos se encontraram. Ele colocou algo na minha mão e eu a acariciei com carinho: era um colar de cristal e havia alguma coisa dentro.
E aquele gesto doeu muito dentro de mim, mas era surpreendentemente quente o contato com o rosto do menino.

- É quente, como se eu estivesse segurando a sua mão...

- Não diga coisas estranhas -
ele me censurou - Obrigada, Arya. Desculpe... eu estou indo na frente.

E ambos fechamos nossos olhos, Seph pela última vez.



Ah... eu vou... desa-desaparecer...

Eu... eu até... pensei em um bom nome... para mim...

Eu não tenho nada mais...

Sua idiota! O que você quis dizer com "não ter nada"?

Qu-em?

Eu sou um semideus refugiado. Meu nome... não, meu nome não passa de uma marca.

M-as... eu sou...

Se esse é o caso, sua tábua, você ignorou tudo que eu disse. Quem era... que vivia arrumando confusões todos os dias? Você se lembra, não é? Da nossa dor... e da nossa alegria. Elas eram nossas.

El-as eram... minhas?

Então, grite!

Gri-te?

Eu vou lutar com você. Afinal você é a minha... mal-humorada, charmosa e complicada... parceira.


A minha boca se mexeu, mas o som não saiu. A palavra que eu iria falar parecia distante e desconexa. Tentei descobrir que lado era para cima e julguei que era a direção oposta ao frio chão onde eu estava.

Não era trevas nem luz. Simplesmente era o espaço interminavelmente vazio. De certa forma, consegui me levantar da primeira vez que tentei e comecei a andar, logo chegando a uma parede alta e interminável.

Ela era toda feita de vidro. Atrás do muro, eu conseguia ver alguém: era um garoto, embora eu não pudesse ver o seu rosto claramente.

Sem pensar muito bem, eu corri até lá e falei algumas palavras. Ele não deu sinal de entender, então comecei a bater no vidro. Alguma hora, me cansei e desabei de joelho.
Nisso, ele tirou algo do bolso: uma caneta. Em poucos segundos, estava escrito na parede em uma caligrafia e letras que eu já conhecia muito bem...

Você consegue desenhar?

Eu gritei seu nome e a parede se quebrou. Alcança-lo... eu poderia alcança-lo... ! Eu não me importei enquanto era machucada pelo vidro, tentando chegar do outro lado.
Ele não estava lá. Ele não estava mais lá. Quando percebi aquele fato, a rachadura que existia dentro de mim se alargou e eu quebrei.



- Parece que ela está viva - uma voz feminina disse para alguém. Era incomodo inclusive abrir os olhos, então não fiz nenhuma tentativa deste - Ei, você. Está bem? Meu nome é Meredith. Memorizou?

- Onde... eu estou? -
perguntei, a voz falhando. Minha garganta estava seca, como se eu não tomasse água a dias.

- Acampamento Meio-Sangue - disse outra voz, masculina - Um lugar seguro.

- Entendo... ele disse a mesma coisa... -
e voltei para o meu mundo de sonhos.

A minha vida já havia mudado. Naquele momento, o mundo parou de se mover.


N Atualizado - 50xpN




the purple aster in underworld


thanks flarnius ops.

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Long time ago

I had a beautiful long black hair
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Tobias B. Scherer
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Sab 22 Dez 2012, 13:18



Aramis H. Lafored


Lute por aqueles que você perdeu, e por aqueles que não quer perder


Razão para Ser



Raison D'etre - Nightmare
(versão traduzida, pra dar pra entender alguma coisa XD)




"Ah, eu passei tantas noites
com sonhos congelados e lágrimas escondidas
Aqueça-me, aqueça-me, me ame"


- Aramis, corre mais rápido!

A voz da garota soou abafada em meus ouvidos.

- Ora seus vândalos! Voltem aqui

O gordo comerciante berrava, furioso.

- Vamos usar o atalho 4, Claire.

Eu estava sorridente.

Eu e a garota corremos mais alguns metros e entramos em uma pequena trilha, invisível aos desavisados, e corremos por mais algum tempo. Ao longe podíamos ouvir o som da voz irritada do gordo comerciante se perdendo naquele lindo final de tarde.

Chegamos em um local mais afastado da cidade. Era um pequeno declive com uma estrada para caminhadas que dava de vista para o mar. Cercados na frente pelo mar e pela borda gradeada e em volta pela floresta, jamais nos achariam. Seguimos a pequena estrada, que na verdade era uma trilha, até chegar no topo.

Lá havia uma grande árvore e um banco de madeira pintado de branco, para três pessoas. O espaço era amplo e às costas do banco a estrada principal que levava para Boston estava vazia.

O pôr do sol que já estava se formando refletia nas águas do mar de uma forma linda, o que mergulhava todo o ambiente em um oceano de calor e luz vermelha. No entanto, ainda fazia um certo frio, mas bem pouco, um frio agradável que dançava em nossas bochechas que agora estava vermelhas, devido à corrida.

Sentamo-nos no banco e abrimos o saco de papelão, cheio de maçãs.

- Isso não é certo, Claire, essas maçãs não são nossas.

- Ora, Aramis. O velho Jakins nos prometeu um pagamento por ajudá-lo à arrumar a loja, mas nunca pagou, estamos apenas pegando o pagamento.

Suspirei, ela estava certa afinal. Peguei a maçã que ela estendia para mim e dei uma mordida.

- Você se preocupa demais – riu a garota ruiva.

Eu gostava do sorriso de Claire. Era calmo e gentil, que se destacava na sua pele um tanto pálida, com algumas sarnas e pelo cabelo ruivo fogo. Naquele dia, ela usava uma touca roxa esfarrapada, mas bem confortável. Ela tinha a mesma idade que eu, 14 anos, no entanto, ela era mais baixa. Nada de muita diferença, alguns centímetros talvez? Mas era o suficiente para que eu a enchesse diariamente, chamando-a de baixinha.

Claire era uma boa amiga.

Era.

"Mesmo que eu tenha esquecido tudo por um momento,
este corpo detestável não pode amar ninguém"



Enquanto observávamos o por do Sol, a jovem garota ruiva adormeceu em meu ombro. Sorri com aquilo. Coloquei-a em minhas costas e comecei a descer a encosta, calmamente. Em minhas costas, Claire se remexia de vez em quando, ajustando-se nas minhas costas.

Quando eu já estava avistando a cidade, Claire acordou.

- E-Eu dormi? De novo?

- É... Você apagou legal.

- Oh... Aramis, me coloca no chão, quero ir em um lugar

Atendendo ao pedido da garota, deixei-a no chão.

Ela se dirigiu, ainda sonolenta, para a pequena loja do senhor Manoel que ficava um pouco mais para baixo na rua. Lá dentro, ela cumprimentou o velho e baixinho homem, com pressa e adentrou na pequena porta aos fundos, no banheiro.

Fiquei esperando do lado de fora da pequena mercearia, rindo um pouco, ela parecia tão séria enquanto falava. Enquanto chutava algumas pedras eu pensava. Minha mãe morrera durante o parto, alguns meses depois, meu pai e minha madrasta - que antes era uma amante de meu pai – morreram em um acidente de carro e agora, eu estava com meus avós, que sofriam de doenças graves.

Enquanto estava mergulhado em meus pensamentos, ouço um sibilar ao longe.

Olhei ao meu redor, não era comum cobras naquela região, mas o que eu vi era bem pior. Uma mulher, ela tinha a pele verde, escamada de forma leve, olhos completamente amarelos, dentes pontiagudos e o cabelo preto, preso por uma tiara de prata, ou qualquer outro metal daquela mesma tonalidade. Ela trajava uma armadura branca, provavelmente de bronze, que não cobria por completo seu corpo. Sua parte inferior era em forma de cobra. Nesta parte, não havia armadura, mas, aparentemente, parecia bem resistente. Ela carregava uma lança. Ela tinha uma única ponta, de ferro, com o cabo de madeira, talvez bambu.

"Não importa o quanto eu continue andando,eu não posso ver o fim
Lembranças do passado em companhias de viagem
Por quais cores este corpo será tingido?
Estou procurando pelas respostas"


Meu corpo ficou simplesmente paralisado enquanto eu olhava aquilo.

Mas o que eu ouvi depois, fez meu coração doer. A porta do pequeno armazem abria-se, e a pequena e adorável figura de Clare saia de lá. Eu queria empurá-la para dentro da loja, para que ela não presenciasse tal coisa, mas meu corpo não se movia.

A garota ruiva arregalou os olhos e gritou.

A mulher-serpente sibilou, mostrando sua lingua de cobra e avançou dizendo:

- Eu vou acabar com você, filho dos fantasmas!

Maior que o medo da criatura, era o medo de que ela machucasse Claire, então, em uma súbita descarga de energia, empurrei a menina para dentro da loja.

O senhor Manoel, velho imigrante de Portugal, nos encarou com uma cara confusa. Tentei falar, mas apenas consegui pronunciar algo como:

- As saushdsaj sssasbasy sadbsa

O velho careca praguejou qualquer coisa e pegou um bastão. Aproximou-se da porta de vidro e olhou para fora, dando um pulo quando avistou o monstro. Depois, olhou para mim com um olhar triste e disse:

- Então, acharam você...

Então, para minha surpresa, ele abriu a porta e correu até o monstro.

Brandindo seu cajado de madeira ele avançou contra a fera. Desferindo diversos golpes, não consegui ver direito o que aconteceu. Encolhido ao lado da porta, eu observava o velho lutar como nunca. Pude sentir Claire aproximando-se de mim, também abaixada. Seu longo cabelo ruivo batia contra meu rosto e, apesar da situação, senti a temperatura de meu rosto aumentar.

- O-O que é aquilo – indagou a garota

- Não tenho nem ideia

"Eu não posso voltar ao dia que nós nos separamos
As cicatrizes que surgem de dentro não desaparecerão
Esconda-o, esconda-o, esconda-me"


O velho Manoel atingiu o monstro na cabeça e ele tombou. Logo, o velho correu até nós, e algo me surpreendeu quase tanto quanto a mulher serpente. O velho tinha chifres e pernas peludas. Apenas agora eu havia notado dois chifres que brotavam de sua careca e misturavam ao ralo cabelo grisalho nas laterais da cabeça. Suas calças haviam caido e revelado pernas peludas de bode com pelugem branca acinzentada.

Fiquei olhando de boca aberta sem saber o que fazer. Claire se encolheu junto à mim, procurando alguma proteção que dificilmente eu conseguiria proporcionar. Ele começou dizendo:

- Garoto, você está em uma bela encrenca.

A voz dele era comum, o que me fez duvidar do que meus olhos viam.

- Olha, conhecendo você, deve ter dormido durante as aulas de história. Mas creio que se lembre dos antigos deuses gregos. Bem, eles ainda vivem. Você é filho de um deles. Existe um lugar seguro para você, em Long Island. Aquele monstro quer te matar.

Eu olhei para aquele velho perguntando-me o que ele havia fumado recentemente.

- Senhor Manoel... Isso não faz o menor sentido!

- Ora seu moleque, acredite nos mais velhos!

"Eu rasguei as estrelas com ambas as mãos
Um dia eu mandarei um retorno aos céus novamente"


Ele me deu um tapa com o cajado.

- Aramis... Pense um pouco... Os fantasmas, sua mãe desaparecida, as coisas estranhas que só acontecem com você...faz sentido sim – disse Claire, com um tom de preocupação na voz

- Mas, você pode ver tudo isso também...

- Ela é humana. Uma humana com uma condição especial de poder enxergar através da Névoa, um véu mágico que encobre estas coisas dos demais mortais para não preocupá-los.

- Se esse acampamento realmente existir... Claire irá comigo, não é?

- Não. Ele é apenas para semideuses, metade humanos, metade deuses.

- Então eu não irei.

- Aramis! – Repreendeu-me Claire – Ouça o Manuel, é a única coisa que podemos fazer para te salvar.

- Mas...

Não havia mais tempo para discutir. A fera acordou.

Ele bateu com a ponta da lança sem ponta contra as costas do velho dono do mercado. Ele caiu, quase sem vida no chão. A mulher apontou sua lança para mim e sibilou, sorrindo. Minha cabeça estaria no chão agora se Claire não tivesse pegado um pedaço de ferro solto na loja e desviado a lança.

- Aramis... Corra!

"Naquele tempo eu era fraco e miserável
Eu vivi sem saber de nada
Mas ainda sonho sempre com o amanhã
Eu contei os dias em meus dedos"


Foram as últimas palavras que eu ouvi dela.

Ela avançou contra a serpente. Conseguiu feri-la em alguns pontos, fazendo cortes com o metal que era pontiagudo. No entanto, a brincadeira havia acabado. Agarrando o pedaço de metal e arrancando das mãos fracas da garota, a mulher serpente desferiu uma série de golpes precisos contra a garota. Senti algo quente escorrendo de meus olhos. Lágrimas caiam de meus olhos, eu não podia fazer nada contra o que eu via.

Sangue escorria para todos os lados, enfeitando de uma forma triste a pequena loja. O sangue quente da garota de cabelos ruivos vividos voava.

Era quente.

Senti respingos em meu rosto, mas mal tive coragem de colocar minha mão para conferir, era triste demais. A garota não gritava, parecia não querer me apavorar, o que definitivamente não estava funcionando. As roupas surradas de lã estavam inundadas do líquido que antes corria pelas veias da garota e uma pequena poça se formava em torno do seu frágil corpo caído no chão frio da loja.

"Certas coisas como o significado da vida
Tudo bem se você não conhecê-los
Quando vier o dia em que você puder sorrir
Esse dia, em apenas uma de suas palavras
Eu tive a sensação de que eu poderia me tornar forte"



Estendi minha mão e peguei o bastão do velho Manoel.

O mundo se apagou para mim.

Eu definitivamente não sei o que aconteceu. Minha consciência havia se esvairado de mim. Pude sentir meus braços trabalhando com uma forma anormal, dando golpes em algum lugar. Senti dor, senti meu sangue escorrendo em alguns pontos, mas por algum motivo, isso não me incomodou. Quando eu acordei, estava prestes a dar o golpe final na mulher.

Então, permiti que aquele sentimento me guiasse mais uma vez.

Quando voltei a mim, eu estava caído no chão. A serpente havia sumido e Claire dava seus últimos suspiros. Arrastei-me até ela, só então senti meus ferimentos. No entanto, não liguei para isto e segurei suas mãos. Quase as deixei escapar, pois estavam cobertas de sangue e, para minha surpresa...

Ela sorriu.

Estava a beira da morte, mas sorriu. Estava caída em uma poça de sangue, mas sorriu. Estava dolorida e agonizando, mas sorriu. Eu não entendi aquilo, mas sorri também. Ela, com suas últimas forças, pegou um colar que carregava consigo e entregou-me. Tentei revidar, dizer que aquilo era dela, mas ela me interrompeu dizendo:

- Lembre-se de mim, Aramis.

Por mais que eu odiasse, voltei a chorar.

Senti uma mão em meu ombro, o velho Manoel havia acordado. “Bela hora” pensei, mas era idiotice culpá-lo. Ele me levou para casa e explicou a situação aos meus avós, que pareciam compreensivos, como se já esperassem por isso.

Encontrei um velho diário que comprei a muito tempo, para registrar qualquer coisa, mas nunca usei e nele estou escrevendo está história e quantas mais virão. O velho Manoel, que descobri ser um sátiro, me levou até uma espécie de acampamento para semideuses, mas eu nunca esquecerei meu real objetivo...

Anote minhas palavras, Claire, eu te trarei de volta!

"Não mude nada, está bom como está agora (você disse)
E até agora
porque você está lá, em algum lugar no meu coração
Eu posso continuar andando claramente
Você me disse que estava tudo bem
mesmo que eu não pudesse ver o fim
Então eu continuarei minha jornada como um estranho
Eu não preciso saber as respostas"



N Atualizado

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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Sex 01 Mar 2013, 02:05



† VENI † VIDI † VICI †

LONELY BOY, OH, I’M A LONEY BOY



Eu juro que dessa vez eu não tinha feito nada. Absolutamente nada! Era um dia qualquer da aula de Educação Física no Golden Bridge High School e, como sempre, eu estava sentado na arquibancada ouvindo música em meu Ipod com os cotovelos apoiados no andar superior e o rosto levemente jogado para trás, literalmente tomando um banho de sol. Pena apenas que tínhamos que trajar aquelas roupas ridículas: Uma regata branca e um calção azulado com algumas listras laterais amarelas, ridículo. Não, eu não me interessava por Educação Física, simplesmente não via um motivo bom o suficiente para sair correndo por aí, suando como um porco velho. Ninguém nunca me incomodava ali, nem mesmo o professor Bart, com aquela barriga de chop pendurada pela bermuda, ninguém me incomodava, até aquele dia. Subitamente duas sombras atrapalharam meu banho de sol, duas sombras gigantescas. Abri meus olhos com dificuldades e dois grandes homens estavam aparados em minha frente. Um deles tinha um bigode que mais lembrava um leão marinho, tive que me segurar para não rir, o outro tinha cabelos grisalhos e pareciam ter sido cortados por ele mesmo, com o auxilio de uma gilete na hora do banho. Ambos era de estatura gigantesca e botariam até mesmo o Sr Bart para correr. Jamais os tinha visto no colégio porém estavam elegantemente vestidos, poderiam ser do conselho tutelar ou qualquer coisa do governo que finge se procurar por os órfãos. É, eu sou um órfão, mas prefiro não falar sobre isso, entende, eu sempre fui sozinho, nunca tive ninguém, então digo que eu já nasci preparado para viver, não preciso ter pais é como se eu... Tivesse brotado, plim, Marc apareceu na sua frente. Você pode dizer que sou muito novo e coisa e tal, mas eu discordo de você. Enfim, aqueles dois homens me deixaram meio tenso, geralmente o governo avisava quando visitas iam ser feitas, mas dessa vez eles vieram de sopetão, sem nenhum aviso prévio. Iriam me mudar de colégio novamente? Eu não tenho culpa se não consigo ficar parado sentado numa sala de aula por mais de duas horas. Só sei que em minutos eu estava preso numa sala vazia com aqueles homens. A sala estava completamente vazia mesmo, suas paredes eram brancas e o mofo começava a se espalhar por elas, ela era pequena e abafada, o ventilador acima de nossas cabeças só servia para fazer barulho e atiçar minha imaginação com coisas do tipo "ele vai escapar e decapitará todos nós", o homem "menor", o de cabelo mal cortado, estava com a irritante mania de tirar um lenço sujo do bolso do paletó e enxugar a nuca, mas não posso culpá-lo ali dentro estava realmente quente. Eu sentado numa desconfortável cadeira, sendo obrigado a encarar os dois, que se apoiaram na parede mais próxima, não sabia porque mas alguma coisa estava muito errada ali dentro. Tudo começou a ficar estranho do nada. O maior deles, o de bigode, escondia de todas as maneiras as mãos nos bolsos, e o menor, parecia estar tendo uma aceleração no crescimento capilar, principalmente com duas mechas que mais pareciam córneos crescendo. Eles trocavam olhares nervosos constantemente e, o mais estranho ainda, é que, quando abriam a boca, começavam a emitir um som metalizado, como se arranhassem giz no quadro negro. O suor começava a escorrer pelo meu rosto, meu ritmo cardíaco acelerava, subitamente, levantei e bati minhas mãos na mesa em minha frente. - Se vocês não querem nada, podem me dispensar? Os dois, mais uma vez, trocaram olhares nervosos, porém dessa vez se demoraram mais, por fim, olharam para mim e o maior deixou-se falar -Marcus Malrboro. Pisquei perplexo, sim, era meu nome, mas porque ele tinha o dito? E por que olhar tanto para o outro? A expressão de seu companheiro parecia mais com a expressão de quem estava sendo queimado vivo, seu rosto se contorcia em tormento e, em segundos, ele estava contorcendo o pano em sua mão, logo depois não existia mais mão e sim cascos... E depois... Não havia mais ninguém normal naquela sala. Eu estava limpo, não podia ser coisa da minha imaginação, mas eu jurava que havia um bicho metade homem, metade touro olhando furiosamente para mim e um mais estranho ainda, com corpo de cabra, cabeça de leão e uma calda de serpente, do tipo "eu sai dos livros de histórias infantis". Eu simplesmente não sabia o que fazer, mas sabia que se eu não fizesse algo, viraria aperitivo para monstro. Atirava, em vão, tudo o que eu podia neles, cadeiras, mesas, papéis, mas nada adiantava, as garras - e o chifre - eram afiados demais. Minha única opção era fugir pelo corredor, mas para isso precisava passar pela porta e, infelizmente, essa estava bloqueada pelo que restara dos objetos atirados. Via-me encurralado contra a parede quando uma ideia me ocorreu; consegui alcançar a pena de uma cadeira que fora destruída e, com ela, atirei no ventilados acima de nossas cabeças, torcia para que meu plano desse certo e que, pelo menos uma vez, pudesse me arrepender de não ter feitos os exercícios da aula de Educação Física. Atirei o frio metal que descansava em minha mão no ventilador, esse chicoteou e acertou o rabo-serpente do leão-cabra, que rugiu, pelo jeito, eu não havia agradado o gatinho, que tornava-se ainda mais furioso, porém, o ventilador havia se tornado mais barulhento e logo pinos começaram a despencar do teto. Coloquei de volta meus fones e a trila me acompanhava em minha aventura, joguei-me no chão e protegi minha cabeça entre meus joelhos e vum vum vum o ventilador despencou acertando o minotauro presente naquela sala. O bicho mugiu de dor e pude acompanhar seu chifre alcançando o chão, como se fosse em câmera lenta. Aproveitando a distração, apoiei os pés na parede e dei o impulso, deslizando sob os monstros e apanhando o chifre caído em maio ao caminho. Ao som de High Way To Hell, levantei e, empunhando o chifre na frente de meus olhos, apunhalei o minotauro pelas costas, fazendo-o explodir em uma nuvem de poeira. Aquilo havia deixado-me atordoado, não sabia nada que estava acontecendo, parecia que estava sonhando e, ao mesmo tempo, parecia que jamais acordaria e, de alguma forma, que aquela era a realidade. Meu momento de perplexidade foi interrompido por um rugido e o rom de minha regata se rasgando, seguido de uma queimação no meu abdômen. A quimera havia me acertado uma patada em cheio. Apanhei meu chifre e corri em encontro a porta. Agora podia ouvir sons de socos abafados do outro lado, pela janelinha vi um garoto bem menor do que eu parado do outro lado. Eu o conhecia do corredor, onde quer que eu fosse aquele garoto também estava lá. Quando me viu, seus olhos se arregalaram, porém tive que me abaixar, já que a quimera avançou contra a porta, num salto quase que de caça, por que "quase" se eu realmente estava sendo caçado? Aquela cena pareceu ter atormentado ainda mais o garoto, que agora socava o vidro com uma lanterna de segurança. O vidro quebrou, mas eu continuava encurralado, então o garoto me chamou -Marc, Marc, olha para cá. Ah, claro, realmente eu iria parar de olhar para a quimera, que me mataria a qualquer instante, para olhar para você, que eu nem conheço. Claro, muito sábia. Eu não olhava, meu pescoço manteve-se rígido e olhos só encontravam os da quimera. Contudo, o garoto continuava a me chamar e, por fim, decidi olhá-lo. Ele, então, me atirou a lanterna para mim, me dizendo para que apertasse o botão de ligar. A principio eu ri daquilo tudo, de certa eu iria cegar a quimera, era assim que eu me salvaria? Mas um ponto de interrogação implantou-se em mim, se tudo aquilo era possível, por que aquilo não poderia me salvar? Apertei e num clique, aquela não era mais uma lanterna, mas uma faca de lamina medindo cerca de trinta centímetros. Aquilo me surpreendeu e, com a surpresa, dei alguns passos cambaleando para trás, a quimera aproveitou minha deixa e investiu contra mim novamente, meus instintos me guiaram dessa vez, já que com o peso da criatura, cai no chão. Aquilo pareceu durar uma eternidade, eu não conseguia respirar e aquilo era pesado demais, sufocava meu peito. Eu havia morrido? a porta finalmente estava arrombada, o garoto estava ajoelhado ao meu lado, tentando retirar a criatura de cima de mim. Milagrosamente, a espada ficou entre a fera e meu corpo, acertando-a em cheio onde seria seu coração. Duas criaturas mitológicas mortas, parabéns Marc. Aquilo era muito louco e renderia muitas histórias. Ou eu seria herói, ou eu seria louco. O garoto me ajudou a levantar, a quimera simplesmente havia desaparecido, assim como o minotauro. Eu estava tonto e precisava de respostas. Olhei incrédulo para o garoto e o bombardeei com minhas dúvidas. -Quem é você? O que eram aquilo? O que está acontecendo? O menino simplesmente sorriu e me entregou o chifre. Fui devolver a lanterna-faca que ele havia me emprestado, mas insistiu para que eu ficasse com ela. O garoto, que dizia-se chamar Harley, respondeu minhas perguntas, mas, sinceramente? Eu preferia que ele não tivesse dito nada. Ele só me confundiu ainda mais, com uma história de acampamento, deuses e criaturas gregas. Enfim, não sei como ele me convenceu, mas sei que preciso andar, a fila de oferendas está aumentando e eu não posso continuar fitando o fogo como tenho feito tantas vezes. Mas eu só queria que meu pai finalmente me acolhesse e eu ganhasse um chalé para chamar de meu e não continuar como um agregado no chalé de Hermes.

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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Sex 01 Mar 2013, 02:20

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“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”.
(Emília Viotti da Costa, historiadora)
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Joseph L. Wright
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Sex 15 Mar 2013, 21:17

"revenge syndrome,
Justice without Irony"

Seph Wright,

x x

Mentir é a minha especialidade, mas verdade seja dita, eu sou ruim em ser honesto. Não é estranho, afinal a verdade não é sempre a mais suspeita?

Essa deveria ter sido uma história normal, no fim das contas.
Um mundo normal, uma vida normal. Amigos normais. Uma história normal.
Infelizmente, tudo isso seria uma ilusão criada por alguém. A realidade é tudo, menos o que uma pessoa com sensatez chamaria de normal.

Poderíamos começar essa história há muito, muito tempo atrás. Talvez Setembro de 1945. Isso explicado muitas das coisas que aconteceriam a seguir.
———Explicações são entediantes.
——Mesmo assim, se eu começasse a narrar agora, não haveria nenhum sentido, então vamos voltar ao que poderia ser o principio da curta história de um dos personagens principais desse conto.

—Agosto de 2002.
O dia anterior havia sido cansativo, como deveria ser. O concerto havia sido um sucesso, independente daquilo.
O garoto se lembrava muito bem da vibração que havia sentido enquanto estava na plateia. Havia gostado especialmente de Ave Maria e do Concerto no. 01, de Vivaldi. De alguma forma, essa peça para violino o comovia; a maneira que começava alegre, como a calmaria antes da tempestade, para seu tom sombrio e depois algo que passava um sentimento de "as coisas estão bem agora, os tempos ruins acabaram".

Mesmo assim, naquele dia ele aprendeu que aquele final feliz não existia. O final era sempre a parte mais triste. Havia apenas um meio feliz, ou um começo muito feliz.
Acabou. Não há mais. Cessou de existir. Isso é um final.

O corpo estava lá, pendurado. Era impossível ver a coloração estranha do rosto devido a pouca luminosidade daquela hora da madrugada. Apenas com aquela presença, parecia que a temperatura no ambiente havia caído uns dez graus.

— Mãe…? — o garoto estava confuso com tudo aquilo que acontecia ao seu redor. Ele simplesmente não conseguia processar a imagem da mulher viva e sorridente que estava tocando violino naquele palco ontem ali, o pescoço envolto por aquela corda.

Sim… o final é a parte mais triste, embora não signifique necessariamente que o mundo parou de girar naquele instante.
—Se alguém lhe deixa, é porque outra pessoa em breve aparecerá para tomar o seu lugar.
O suicídio de Victorica Levi não foi o começo de tudo, mas é o ponto que escolhemos para iniciar a narrativa dessa história.

As cigarras estavam muito barulhentas naquela manhã de verão, se formos parar para pensar. Talvez aquilo fosse um sinal, ou algo do tipo.
Um sinal daquela história que seria tudo, menos normal…

———

Um novo país, uma nova família e inclusive um novo sobrenome. Aquilo era um pouco demais para Seph aguentar.

Aquele era um garoto isolado e quieto, que sempre analisava bem a situação e decidia se deveria ou não falar. Ele provavelmente não se daria bem com aquele lugar.

Aquela família era composta por parentes distantes dele. Após várias lutas pela sua guarda, os advogados haviam decidido que um casal mais próximo de amigos de Victorica era o melhor para o menino, então ele foi mandado para lá.
O único desafio eram as pessoas.

O casal tinha dois filhos. Ryan e Sadie.
Seph havia se dado particularmente bem com Sadie, a mais nova. Ela era mais ou menos dois anos mais nova que ele.
Ryan era o grande desafio.

Ele era seis anos mais velho que Seph e os dois sempre brigavam, pois ele sempre insistia em maltratar Sadie. No final, o mais novo acabava apanhando também.
Se fossem ignorar ele, talvez o tempo que ele havia passado com os Wright houvesse sido a verdadeira "felicidade".

Ele provavelmente tinha seis anos quando aquilo aconteceu.

Toda a casa foi abaixo em um grande incêndio, era o que as manchetes diziam.
Na realidade, foi homicídio e uma tentativa de fratricídio.

Seph havia visto tudo.

No meio de toda aquela fumaça e das chamas que lambiam as paredes, ele viu a mancha de sangue que tinha aproximadamente o mesmo tamanho do pequeno corpo destroçado e ligeiramente carbonizado.
E, sobrepondo-se a tudo aquilo, o sorriso de escárnio de Ryan.

O fato que o seu irmão mais velho, mesmo sendo adotivo, havia ateado fogo em sua cassa e matado a sua irmã… aquele pensamento tomaria conta da mente de Joseph para sempre.
Ele não havia conseguido proteger Sadie.
Ele sequer conseguiria proteger outras pessoas depois dela.

"Ei, você está bem?"

Seph apenas sorriu e riu. Ele queria dizer para a garota que, na realidade, ele não estava bem e que a vida deveria ser bem melhor para ela considerando que ela não tinha que ir para casa todas as noites e parentes adotivos que iriam ataca-la ou deleitarem-se em sua miséria, que ela não teria que suportar as risadas deles enquanto ela dormia ou a lembrança permanente dos abusos que marcavam o seu corpo como correntes de ferro. Havia muitas coisas que ele queria dizer, mas ele não falou nenhuma delas.

Parando um segundo para pensar, aquele provavelmente foi o seu primeiro encontro com a garota chamada "Arya Silverkin". Um número infinito de coincidências e um número infinito de inevitabilidades havia os unido naquela tarde quente de verão.

Naquela época, a sua vida já ia de mal a pior. Desde que pouco menos que um ano havia se passado desde que a última família com quem ele havia vivido havia sido morta em um incêndio, as coisas simplesmente pioravam mais a cada dia.

Ele não poderia contar a ninguém. Se alguém soubesse, coisas ainda piores aconteceriam a ele e ninguém queria aquilo, certo? É claro que não.

Era o que contavam para ele todas as noites, quando ele estava encurralado no canto do quarto tentando não se mover. Quando ele tentava conter o fluxo incessante de sangue vindo debaixo de sua pele ferida e esconder os hematomas de tons azuis a roxos que existiam por todo o seu corpo. Toda vez que ele mordia o ponto dos seus lábios que não estava rachado, deixava Seph com um gosto de cobre em sua língua que o fazia contorcer a cara em desgosto.

Ele não poderia contar para ninguém nada sobre aquilo.

"Você está bem?"

Em algum ponto da vida de Seph, Arya se tornou uma figura recorrente. Ela era alegre e viva. Mesmo que ele não soubesse nada sobre ela e soubesse que ela provavelmente tinha uma vida normal, aquela garota havia se tornado um raio de luz na vida do menino, talvez justamente por causa daquela normalidade. Pela primeira vez em meses, ele se sentia bem em alguma hora; ao descobrir o quão apaixonada ela era por desenhos e por música, ele fez tudo o que poderia para agrada-la.

Arya as vezes tentava ajuda-lo: mesmo que ele não lhe dissesse nada, ela já havia reparado que havia algo de errado com ele, então o chamava para passar algumas noites em sua casa as vezes e até lhe dava presentes. Ele tentava recusar, já que as coisas poderiam se voltar contra ela caso descobrissem a sua relação; Seph tentava se manter o mais afastado dela possível, de forma que os dois quase nunca se falavam e ficavam tardes desenhando pela cidade ou nos jardins da casa que ela vivia na época. Ele simplesmente não conseguiu resistir a um dos maiores presentes que ganhou em sua vida; um velho e usado violino que Arya lhe deu.

Mesmo que Seph se esforçasse o máximo para ser autodidata e aprender a tocar para ela, um dia, quando esqueceu o instrumento em sua casa, voltou e o encontrou destroçado em um canto.
Quando ela lhe perguntou sobre aquilo… "Eu não tenho o mínimo de talento; é melhor deixar essas coisas com quem nasce com um dom."

As vezes, quando seus parentes estavam bêbados ou apenas se sentiam particularmente violentos, as agressões iam bem além dos chutes e socos normais e as palavras cruéis que já haviam deixado Seph insensível há muito tempo atrás.

Ele odiava essas noites mais que as outras.

Nas manhãs que as seguiam, quando ele tinha certeza que não havia ninguém que poderia vê-lo, ele tirava as suas roupas rasgadas e as queimava com os fósforos que eram deixados nas costas da velha poltrona estufada. Ele assistia as cinzas fumegantes com uma expressão vazia e tentava fingir que era a fumaça a responsável pelos seus olhos lacrimejantes e transmitir isso pelo rosto machucado.

Sangue é mais grosso que água, eles diziam, então Seph supunha que era justo aqueles que não eram conectados por traços sanguíneos serem aqueles que provocavam a saída da substancia de suas feridas.

"Olhe para você, seu patético desgraçado."
Na noite que lhe disseram aquilo, ele se perguntou se o vermelho seria capaz de deixar o seu cabelo escuto, transformar o loiro-prateado como espuma de champagne em vinho. Ele notou em sua visão periférica alguém levar uma garrafa de vinho aos lábios e o liquido derramando-se descuidadamente do queixo da pessoa para o chão.

—Seph teria rido com a ironia se não estivesse prestes a se engasgar com o sangue.

Havia um gato que sempre era visto perto da casa de Seph. Era um gato preto, uma coisa pequena e magrela com uma cauda enrola e olhos de um vermelho brilhante que pareciam encara-lo diretamente.

As vezes, ele se sentava por horas na cerca de fora da casa do garoto, encarando Seph por sua janela. Ele havia tentado jogar coisas no gato e gritar o mais alto que podia, mas ele nunca se moveu. O animal simplesmente ficava sentado ali, os olhos fixos no menino.

Ele odiava isso.

Pedaços de madeira e pedras podem quebrar os seus ossos, mas palavras nunca podem machucar você. Era isso que diziam, certo? Ou pelo menos algo naquela linha de raciocínio.

Mas mesmo que ele dissesse aquilo para si mesmo, ele não poderia ser ajudado, mas olhava para baixo e para o seu braço, quebrado e pintado em escarlate e continuava pensando que os seus ossos ainda estavam mais juntos que ele mesmo.

Os seus ossos poderiam se curar, como sempre faziam, mas aquilo nunca poderia parar. As sementes já haviam sido plantadas em sua mente. Agora, Seph sequer precisava dos parentes adotivos para dizerem para ele que monstro ele era; ele já sabia por si mesmo.

Os olhares de desprezo que as pessoas lhe lançavam eram piores que o abuso. Aqueles olhares que diziam 'Ah, que triste, como ele foi pateticamente reduzido a isso'. Mais do que qualquer coisa, ele odiava ser olhado como se fosse inferior daquela maneira.

"Então continue mentido." Aquelas palavras foram sussurradas de lugar nenhum em seus ouvidos. "Isso é tudo o que você precisa fazer, certo?"

Ele abriu os olhos. Em um instante, ele estava em pé, mordendo o interior da sua bochecha para não chorar de dor por se mover tão rapidamente. Mas não havia ninguém lá e a única coisa além de Seph no quarto era o pequeno gato preto com os olhos vermelhos sentado e, se ele estivesse vendo as coisas corretamente, com um sorriso debochado adornando a sua face.

"Manipule a verdade de todos. Engane eles. Minta. Você é bom nisso, certo?" O gato não estava se mexendo, mas era definitivamente a entidade que estava falando. Sua voz era tranquila e leve, como o canto dos pássaros ou sinos de vento. "Eu posso ajudar você."

Um ano depois, toda a casa foi abaixo em um incêndio. Aproximadamente nada restou do que era a construção. O evento foi narrado na mídia como uma tragédia chocante, algo que ninguém seria capaz de fazer. Todos os membros da família na casa haviam falecido, incluindo o valente e genial garotinho do feliz casal.

Seph riu até cair no chão quando leu sobre isso. Ele não tinha certeza do que era mais hilário: o fato de todos jurarem que Seph estava morto ou pensarem que ele era o orgulho da sua falsa família feliz.

Em prosperas cidades como San Francisco, mesmo depois da noite cair, o céu continuava aceso. Da velha ponte, agora parecendo muito menos do que ele de fato era quando criança, Seph conseguia ver o brilho das luzes acesas da cidade viva.

Ele se lembrava vividamente do que havia acontecido depois de ter abandonado a casa em chamas.

"Nêmesis te achou, não achou?"

Aquele garoto estranho e nada usual havia ido conversar com ele.
Mesmo que as palavras dele tivessem tido o intuito de tranquiliza-lo, Seph só havia ficado mais assustado com tudo aquilo.

"Você é um semideus."
"Irei leva-lo para um lugar seguro."

Mesmo para alguém tão anormal como ele, aqueles fatos eram difíceis de aceitar.
Por isso, ele havia fugido.

De alguma forma, ele sobreviveu. Mesmo que o garoto desconhecido tivesse lhe dito que seria mais perigoso dali para frente, já que ele conhecia a sua "verdadeira identidade".

Não houve nenhuma diferença significativa… pelo menos até ele se envolver com o "grupo errado de pessoas".

Seph deveria estar prestes a completar treze anos naquela época. De acordo com o que lhe disseram, eram todas pessoas como ele. A cidade era San Francisco e aquela era uma primavera especialmente fria.

Mesmo que fossem conhecidos como vândalos ou até mesmo terroristas, ele não havia notado nada daquilo. Para eles, aquele era um grupo de pessoas com ideais que valiam a pena; eles queriam igualdade e justiça, nada mais que aquilo. Também o tratavam como alguém do mesmo nível, não inferior; ele nunca havia sido tratado daquela maneira…
Exceto com Arya.

A menina sumiu totalmente de seus pensamentos despertos por algum tempo, embora ele ainda sonhasse e tivesse devaneios com ela as vezes. Ela e seus maravilhosos desenhos, na sua casa onde a música sempre ressoava.

Naqueles instantes, ele se perguntava se ter apagado a existência daqueles que lhe fizeram mal e tê-la abandonado havia sido um erro.
Logo, porém, ele parava de pensar naquilo e se focava no que tivesse que fazer. Naquela época, o menino ainda era novo demais, inocente demais… ele não era capaz de entender.

Seph passou seis meses em San Francisco.
Naquele meio-tempo, ele provavelmente foi mais corrompido do que já era por aquelas pessoas. Elas o ensinaram várias coisas, como como sobreviver, mas finalmente cometeram um erro fatal.
Eles mataram alguém inocente.

Para Seph, nunca havia existido alguém inocente; todos eram culpados ou coisa assim. Pela primeira vez, ele finalmente entendeu o que era sentir "simpatia" por alguém… ou alguma coisa.

De acordo com os outros, aquilo era um "cão infernal"; um cão do inferno. Mas… era um filhote.
"Ele vai crescer, então virá atrás de nós", eles disseram.
“Essa é a coisa certa a fazer", eles disseram.

Ele nunca tinha visto algo tão injusto.
Então Seph fugiu.

"Acampamento Meio-Sangue."
Aquele estranho garoto havia mencionado aquele lugar e ensinado ao menino como chegar lá caso precisasse. Era em New York, então ele simplesmente precisou cruzar o país.

Sem problemas.
Ele simplesmente foi atacado por monstros desde o começo do caminho e, ao chegar lá, ele foi abandonado pelo suposto "pai divino" no Chalé 11.

Ele entendeu o que era o verdadeiro "tédio". Os meses passaram em uma velocidade assustadora enquanto Seph ficava trancafiado ali. Ele se recusa a participar das atividades.
Nunca sairia dali mesmo. Qual era a necessidade daquilo?

Mas logo, ele novamente foi mandado para longe.

Lá, ele reencontrou aquela garota
E então, ele falhou de novo.

Alguém que havia sido gentil com ele, a sua primeira amiga.
Ele falhou completamente em dizer "Eu te amo" antes que ela desaparecesse para sempre.
Ou assim o herói dessa história pensou.

———

Dez anos. Realmente havia se passado tanto tempo? Mas olhando para as matérias de jornais amassados noticiando a sua suposta "morte", datado de quatro anos atrás, ou do suicidio de sua mãe, quase onze anos atrás… ele não podia negar. Dez anos haviam passado desde que o monstro havia falado com ele; cinco, desde que ele havia se tornado um mentirosos que não tinha mais salvação.

Ninguém poderia ver as cicatrizes. Assim como ele conseguia fingir estar sorrindo quando estava desesperado, ele podia facilmente cobrir as persistentes marcas vermelhas com uma enganadora pele lisa e mentiras brancos.

— Ei, Seph, você está vindo ou não?
Ah, ali estava Arya.

Desde que ele havia descoberto que ela também era uma meio-sangue… bem, havia sido um choque, na realidade.
Mesmo que ele quisesse protegê-la daquele mundo… de um mundo onde o tédio reinava e ela seria abandonada pela coisa que mais queria na vida, pais… bem, ele havia falhado miseravelmente.
Para todos, a sua escolta da filha de Hades havia sido um sucesso, embora não houvesse fracasso pior para ele.

— Indo, indo!
Ele se levantou e arrumou as roupas, então fez uma pausa antes de guardar as manchetes novamente. Uma figura genérica de sua mãe tirada em algum concerto estava colocada abaixo do titulo, legendada com alguma frase doentiamente doce sobre o adorável tipo de pessoa que ela era.
Seph não se lembrava muito bem como ela era, mas alguém como aquela apresentada na legenda não mataria a si mesma.

Uma risada escapou de sua garganta. Ele dobrou o papel de novo e de novo, até formar um aviãozinho de papel. Suas bordas finas bateram com o vento e Seph duvidava que ia durar muito tempo no ar. Ele levantou o braço, puxou-o para trás e atirou o avião sobre o rio. Ele planou por alguns breves momentos antes de cair na água abaixo e afundar.





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Dionísio
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Sex 15 Mar 2013, 22:37

♦ATUALIZADO!♦



50xp

Ótimo post, adorei sua história, cativante e envolvente. Continue assim Seph \O

Thanks Thay Vengeance @ Cupcake Graphics

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Jaime. A. Lancaster
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Qui 22 Ago 2013, 15:23

Desespero
Com: Sozinho; humor: Medo e alívio; vestindo Jeans, Camisa azul e tênis rasgado;[url=A URL DO TEU LOOK AQUI] NOME DO TEU LOOK AQUI[/url] Thanks Maay; From TPO


Pode não acreditar, mas sim, era um dia normal. Estava na rua andando com amigos meus da escola. O dia estava agradável, muitas pessoas na rua e todos estavam se divertindo.
Andávamos por uma ruela, em direção ao shopping center do bairro, Lewis estava alegre, havia dado seu primeiro beijo e se gabava o tempo todo por isso.
Eu estava no meu humor de sempre, alternado entre o mau humorado e o poucos amigos, sempre me criticaram por esse meu jeito, mas por mais que me esforce, não consigo mudá-lo.
Nesse dia, especificamente eu estava com sensações incrivelmente ruins, tanto que tiveram que me arrastar de casa. Passamos então, por um beco, e todos pararam para olhar o gato negro que se encontrava dentro desse beco, o bichano parecia mal, orelhas cortadas, cicatrizes e falhas em seu pelo. Os garotos olharam bem, alguns ficaram com dó mas logo depois foram embora. Eu não consegui deixar o pobre animal ali, sozinho e machucado, poderia estar faminto, ou com sede, não importava, eu tinha que ajudá-lo de alguma forma, o que foi um erro.
Entrei no beco e deixei com que os garotos fossem andando sem mim "Alcanço vocês depois" disse para eles, que saíram andando. Me agachei de frente ao animal e passei a mão em sua cabeça o que o fez miar de dor quando encostei em um dos machucados em sua orelha esquerda. Uma lição: Pessoas desastradas sempre andam com algum tipo de remédio no bolso, tirei um vidro de iodo da mochila e apliquei com cuidado na orelha do pobre animal. O coitado miava coma dor que sentia, eu comecei a me assustar, porque seu miado já estava se transformando em um rosnado. Me afastei com cuidado do animal, que agora crescia, seu pelo começava a dar lugar para escamas, meus olhos arregalados fitavam o animal macabro à minha frente, quando finalmente meu estado de choque passou, sai em disparado, na direção oposta ao dos meus amigos.
Parecia um louco, correndo e gritando por ajuda, mas as pessoas a minha volta pareciam não notar o animal louco que me perseguia, passei por uma mulher que escondia seu filho de mim "Olhe essa coisa senhora!" apontei para o animal "Tem certeza que quer esconder seu filho de mim?" a mulher parecia confusa e me olhava com um olhar de desaprovação o que me deixou furioso.
Continuei à correr, dando olhadelas de vez em quando para ver o quão perto o meu inimigo estava. Acabei entrando em uma estrada, pela primeira vez, e justamente quando eu mais precisava, a estrada não tinha sequer um carro, nenhuma família indo visitar a avó, ou um grupo de jovens seguindo viagem.
Meus pés começaram a doer, podia sentir meu tênis se rasgando e a ponta do meu dedo se encostando no asfalto quente. Gotas enormes de suor escorriam de meus cabelos negros e a minha camisa já estava encharcada. Olhei para trás e o monstro também parecia ter caído em exaustão. Minhas pernas não já aguentavam o peso do meu corpo, e tive que parar para descansar. Olhei para trás e nem sinal do monstro. Enquanto retomava o fôlego, olhei à minha volta e imaginei compo meu pai iria gostar da paisagem que me cercava, estrada no meio, e à sua volta mata e árvores. Espera, matas, árvores, isso serviria de esconderijo! Rapidamente adentrei a mata e senti a mudança brusca no clima, que agora se tornara úmido e agradável.
Continuou a andar ao meio das árvores e pinheiros enormes, sua visão se tornara turva, e seu coração estava um tanto acelerado. Uma pedra no meio do caminho havia o feito tropeçar e no mesmo instante, sentiu a dor que percorria seu ombro e braço. Continuou a andar, com a mão segurando o braço.
Ouviu-se barulhos de galhos se quebrando e o garoto instantaneamente se enfiou ao meio de um arbusto. O monstro vinha em sua direção, farejava o ar com seu nariz verde e gosmento. Notava-se que o monstro tentava se concentrar no cheiro do garoto, e vinha em direção ao seu arbusto. Não havia mais escapatória, como coração quase pulando por sua boca, o garoto partiu de seu esconderijo e se pôs a correr, quando havia percorrido um grande caminho, olhou para trás e viu um grande pinheiro, e atrás do mesmo se encontrava o monstro, que para sua surpresa se encontrava parado, como se ali houvesse uma espécie de campo de força, que o impedia de ultrapassar. Olhei então para baixo e me admirei com a linda paisagem do "Acampamento Meio Sangue"  



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July Benson
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MensagemAssunto: Re: Sala de Registros   Seg 14 Out 2013, 17:37


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Essa casa nova só pode ser loucura
Você pode até não acreditar mais o dia que eu descobri tudo isso,não foi uma show de rosas,mas sim um rio de emoções lastimáveis,estava eu com minhas irmãs na praça de uma cidade vizinha da nossa e eu como sempre estava lendo eu amo ler livros de mistério, era um que desses que eu estava lendo até que uma senhora até que com o rosto simpático me falou:As suas irmãs precisaram ir ali ,mas me pediu para ficar com você e te levar a onde elas estãonEstranhei minhas irmãs pediu para um estranho me levar então olhei ao meu redor mas não vi minhas irmãs então acompanhei a senhorinha,estava tudo bem até a velha virar para uma rua totalmente deserta que tinha uma placa bem grande mais escondida escrita:Boa Viagem obrigado por visitar nossa cidade.Quando li percebi rapidamente que estávamos saindo da cidade  e minhas irmãs não iam sair da cidade sem mim,então quando fui me dirigir a velinha ela foi se tornando um Minotauro gigante,ela começou a falar mas foi impossível de entender por que eu estava formulando meu plano perfeito para escapar do mesmo,que era correr sem olhar para trás e foi isso que eu fiz sai correndo corri,corri até não aquentar mais,então parei.
Eu estava com sede, calor e um pouco de fome,depois continuei andando até um carro aparecer,ele parou bem do meu lado e abaixou o vidro,e para o meu alivio era meu pai.Entrei no carro e meu pai começou a falar sobre não falar nem confiar em estranhos oque já era normal ele fala isso o tempo todo,só que dessa vez eu tinha desrespeitado ele foi uma tortura até ele começar a falar sobre os deuses gregos e ai eu achei que já tava loção de tanto me dar bronca,mais foi ai que começou o auge de toda  loucura dele ele me disse que eu iria para um acampamento um acampamento  para semideuses,e que eu era um semideus filha de Athena,era provavelmente loucura mais tem mais ele falou que ia me deixar nesse acampamento agora e minhas coisas já estavam no porta mala.Olhei para ele com uma cara de deboche e dei uma risada sínica  que,disfarcei,depois disso ele  nem não falou mais nada até chegarmos em uma colina,em que ele estacionou na beira da estrada,pegou minhas coisas e deu para mim um bracelete de ouro branco e me abraçou dizendo:Agora vá viver suas aventuras sozinha.Vá em frente quando você chegar no acampamento você saberá.Depois me soltou e entrou no carro e saiu pela estrada,fiquei olhando para ver se ele não voltava e me disse se  que era uma brincadeira sem graça mas ele não voltou, então segui suas instruções e comecei a caminhar em linha reta por um campo verde.                                           
Chegando naquela colina eu estava exalta, não tinha animo para nada mais minhas pernas estavam meio que bamboleando, não aquentava nem minha própria bolsa e eu nem estava no topo mais estava quase lá.Quando se repente ouvi um barulho esquisito começou a rondar meu ouvido eu tinha certeza que não era uma musica,fazia meus ouvidos doerem.
E eu olhava para os lados, mas não vi nada não sabia da onde vinha aquele barulho horrível, tampei meus ouvidos com minhas mãos e continuei andando, a mão no meu ouvido só serviu para amenizar o barulho,por que ele continuava lá me perturbando,minutos depois o barulho parou, tirei minhas mãos do ouvido olhei a redor e estava a mesma coisa um pasto com a grama bem verde.Comecei a andar novamente desta vez mais desconfiada e amedrontada,meus olhos estavam arregalados igual há de uma coruja e eu nem estava entendendo direito o por que de meu pai me mandar para aquele lugar,e aquela historia de eu ser um semideus e minha mãe ser Athena e não aquela que está minha casa era totalmente ridículo,essa historia de mitologia grega são lendas e todos sabem que lendas não existem.
O calor estava insuportável e eu mal sabia por que foi cair no joguinho do meu pai e nem porque eu tinha ido para aquele lugar esquisito que eu nem conhecia,quando eu chegasse em casa eu mataria o meu pai,fui pensando nisso o tempo todo,até chegar ao topo que havia uma florestinha bem sinistra,eu foi nessa hora que eu dei um basta eu não iria entrar naquela floresta estranha,então dei meia volta e me deparei com um tipo de monstro vindo corendo na minha direção,a única coisa que eu tinha para me proteger era correr para dentro da floresta,entrei dentro da florestinha e corri mais que pude,algumas vezes olhava para trás e via o monstro correndo atrás de mim,fiquei totalmente aterrorizada oque esse monstro estava querendo comigo e além do mais eu só devia estar maluca e estar tendo alucinações bem loucas,mas talvez não então não parei de correr até chegar a um portão um pouco que estranho,olhei  e li as letras que estavam lá em cima no letreiro em voz alta:Acampamento Meio Sangue!!!Estanhei muito não parecia um nome adequado para um acampamento,mas já que eu já estava toda ferrada mesmo entrei.
 

notes: algo a dizer? ; tags: com quem hablas? ; vestindo:Camiseta Branca com um ônibus amarelo desenhado,calça  jeans preta,all star e uma boina vermelha isso; Thanks Maay From TPO.
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