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 Meu romance cômico

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Ciel Evans
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MensagemAssunto: Meu romance cômico   Qua 26 Dez 2012, 20:54


Meu romance cômico
Meu romance cômico | Terror
post #01

--------------------

É o estado de alegria que você pensa estar sonhando, é a felicidade interior que você está sentindo, é tão lindo que faz você querer chorar. Essa inocência é brilhante e eu espero que isso permaneça, esse momento é perfeito; por favor, não vá embora, pois eu preciso de você agora.

Ele é um garoto na dele, que gosta de jogar vídeo game, brincar com os amigos, ouvir uma boa musica, tocar guitarra, ler mangá, assistir filmes de terror, que odeia estudar, fazer uma faxina, ajudar o pai a lavar o carro, fazer tarefas da escola.

Ela, sua namorada, é muito linda, gosta de jogar vídeo game, brincar com os amigos, ouvir uma boa musica, tocar guitarra, ler mangá, assistir filmes de terror, que odeia estudar, fazer uma faxina, ajudar o pai a lavar o carro, fazer tarefas da escola. É perfeita para ele. É imaginária, claro.

Ele tinha apenas dez anos quando começou a namorar sua própria imaginação, a qual era representada por uma garota de pele clara, com cabelos longos e corridos tingidos de branco e olhos vermelhos – típica garota sensual de animes e mangás. Seus pais e amigos; porem, não sabiam da tal garota. Era um amor escondido. E todos os dias ao voltar da escola, ele se trancava no quarto e passava horas e mais horas com ela.

Seu nome era Owen, e sua namorada se chamava Misaki. Aos onze anos, ele a levou para fora do quarto pela primeira vez tomando cuidado para não parecer alo estranho, o que era um tanto complicado; afinal, seus amigos iriam o ver falando sozinho e trocando carinhos com o... Nada.

Não demorou muito para que seus amigos o vissem falando sozinho e trocando beijinhos com o vento, o que gerou altas gargalhadas. Pobre Owen, tão inocente. Chateado e envergonhado, voltou para casa, cabisbaixo, de mãos dadas com a garota. Chegando ao seu quarto, deitou na cama, ao lado de Misaki, e permaneceu calado. Ela, por sua vez, sorriu, mexeu nos cabeços negros e bagunçados do garoto e disse:

- Com você é bom qualquer lugar – após ouvir isso, um leve sorriso desenhou-se no canto esquerdo da sua boca, fechou os olhos e dormiu.

Quando o garoto completou catorze anos, Misaki não existia mais. A garota que tanto amor, carinho, alegria, esperança, e outros tantos sentimentos recebeu, havia sido completamente apagada de sua memória, e seu coraçãozinho pertencia; agora, a Paolla, uma linda garota com olhos castanhos mel, levemente morena e cabelos escuros que morava perto de sua casa. Que mudança.

Aos quinze anos começou a cursar o ensino médio, onde se aproximou bastante de seu amor. Começaram a conversar com mais freqüência e descobriram que seus gostos eram parecidos, exceto pela musica, pois ela gostava de sertanejo. Coitado.

Algumas semanas após o começo das aulas, eles já tinham trocado várias mensagens via celular, ido ao cinema, teatro, boliche, passeado na praça, zoolagico, mas ainda não havia dito “eu te amo”. Encontravam-se quase todas as tardes e durante a noite conversavam através do bate papo do facebook. Era um romance fofo e meigo.

Certo dia eles haviam combinado ir a uma lanchonete na tarde de segunda-feira, mas o tempo não deixou, pois ele carregou o céu de nuvens escuras e disparou gotas de água contra o solo, uma briga tão feia que rolou até raios. A briga entre o céu e a terra continuou e Owen não se daria por vencido por causa de uma chuvinha. Ligou para Paolla e perguntou se poderia passar por lá, mas ela achou melhor não, uma vez que seus pais estavam em casa e seria muito tenso.

Pobre Owen. Ele sentou-se a mesa, desanimado, e apoiou sua cabeça em seu braço direito que dormia esticado sobre a fria superfície de mármore. Os ponteiros do relógio caíram para perto do seis, e ele continuava lá, imóvel. Depois de horas, Owen se pegou dormindo na cozinha, que embaraçoso.

Seu pai chegou lá perto das sete horas da noite, todo encharcado da chuva. Tirou seus sapatos com os pés, deu olá ao filho e foi tomar uma boa ducha. Antes que o homem saísse de baixo do chuveiro, o garoto calçou um tênis confortável e um sobretudo de couro, disse ao seu pai que tinha que sair urgente para terminar um trabalho da casa de seu amigo, pois não podia ligar o computador devido ao temporal.

Alguns segundos de silêncio se sucederam seguidos de uma risada do pai. Ele murmurou algo parecido com “pode ir”, mas como não era nada tolo perguntou se o filho não estava indo ver uma garota. As maçãs do rosto do garoto ficaram avermelhadas e antes que ele pudesse responder, seu pai continuou.

- Suas bochechas não mentem – riu – fique tranqüilo. Eu também já fui adolescente. E se você está disposto a sair na chuva para vê-la, é sinal que ela é muito importante para você. Filho?

Ouvir essas coisas é realmente chato, Owen já havia saído do banheiro antes que seu pai falasse das suas bochechas rosadas. Pegou um guarda-chuva antes de sair de casa e abriu a porta dos fundos se deparando com a forte chuva da noite.

NNNNN

Em menos de cinco minutos caminhando na chuva, seus pés já estavam encharcados, sua calça ensopada e seu rosto empalidecido – culpa do frio. Seus cabelos dançavam no ritmo do vento, enquanto seus olhos enfrentavam o vento para não fechar. Ao chegar à casa da garota se deparou com outro problema: como entraria? Se os pais dela estivessem em casa seria um problema, além de ser algo embaraçoso.

Coçou seus cabelos molhados e pensou em outra forma de entrar. A janela, talvez. Uma vez quando voltavam juntos para casa, ela apontou onde era a janela do seu quarto, então Owen caminhou até ela. Não tinha grades, ufa. TOC TOC TOC. As batidas soaram abafadas, mas a garota ouviu. Seus olhos expressavam espanto, porém não deixou de abrir a janela.

- O-o que você está fazendo aqui, garoto?

- Sinceramente, eu não sei. E-eu... – ele não passava de um ingênuo apaixonado. Não tinha ideia do que dizer, do que fazer, de como reagir, então deixou seu coração falar por si – Eu precisava muito te ver, eu não sei o porquê, eu realmente não sei... mas eu queria muito, e por isso eu vim.

Ver o garoto todo molhado em sua frente e dizendo aquelas coisas foi uma grande surpresa a ela, seus olhos estavam querendo derramar lágrimas, pois seus sentimentos pelo garoto correspondiam perfeitamente aos dele por ela. Coisa linda de se ver. Mas para a surpresa dos dois, Owen deixou escapar um comentário que fez os dois corarem.

- Eu te amo.

Seus olhos se arregalaram em espanto, seus ombros se encolheram, largou o guarda-chuva e colocou as mãos na frente da boca, assustado. As gotas salgadas saíram dos olhos cor-de-mel da garota, contornaram suas bochechas rosadas até se encontrarem no queixo e caírem no chão. Que lindo.

A garota pulou pela janela ficando em pé na frente do garoto. Deixou um pequeno sorriso escapar e uma lágrima escorrer antes de abraçar o mais forte que conseguia o garoto. Ele, um tanto tímido pelo que havia dito, envolveu vagarosamente seus braços na cintura da garota e deitou sua cabeça no obro dela.

- Eu também te amo, idiota.

Aquele sentimento estranho se desenvolveu no estomago do garoto, era uma sensação boa, tão boa que queria sentir para sempre. Após de um tempo abraçados, ambos já estavam muito molhados, a garota envolveu o rosto do garoto com suas mãos delicadas e aproximou sua boca a dele.

- Eu te amo muito, muito mesmo – disse antes de beijá-lo.

Owen sentiu um arrepio percorrer cada canto do seu corpo, fechou os olhos lentamente e entrou em estado de “êxtase”. Ergueu suas mãos até o pescoço da garota e a abraçou, trazendo-a para mais perto do seu corpo.

Paolla perdeu a força que tinha em suas pernas, e os dois ficaram ajoelhados enquanto se beijavam. Os dois corações começaram a bater em sincronia e o mundo lá fora não existia mais, apenas ele e ela.

O apaixonado beijo molhado perdurou. Foi assistido por todos os astros que enfeitavam o escuro céu da noite e acompanhado por uma forte chuva que pareceu tão fraca naquele momento.

- Promete ser minha? - ele disse sem soltá-la dos seus braços e derramando algumas lágrimas de realização - Para sempre?

Ela deu um sorriso ao ouvir a pergunta, aproximou-se do seu ouvido e murmurou:

- Eu sempre fui e sempre vou ser sua.

Mordeu a orelha do garoto e beijou carinhosamente seu pescoço.

NNNNN

A noite passada parecia ter sido um sonho. Foi complicado, para Owen, explicar aos seus pais que tinha ido finalizar um trabalho na casa de um colega. Para Paolla foi muito mais fácil, apenas disse que iria tomar banho antes de dormir e ninguém a vira molhada.

Agora eles precisavam se arrumar para ir à aula, que desgraça. Pelo menos teriam um motivo bem melhor de querer ir para o colégio.



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Alicia C. Hills
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Qui 27 Dez 2012, 12:33

WEEEEEEE, PRIMEIRA A COMENTAR -QN

Que fic fofa *O*
Eu adorei 'u' q
Continue a escrever 'u' q
A Misaki é divosa -q
O Owen é estranho -q
E não vou falar da Paolla -qn

De qualquer jeito, a fic está ótima ^^
Continue Ò.Ó -q

____

Alicia Lewis-Patel Ward Carolline Hills
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Última edição por Alicia C. Hills em Qui 27 Dez 2012, 12:43, editado 1 vez(es)
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Paulo J. Goodwin
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Qui 27 Dez 2012, 12:39

Ciel sempre mostrando quem é o melhor na arte de escrever!

Ficoou ótima Criido, continuee assim, vou ler todos os capitulos Very Happy

Sinceros Parabéns meu amiigão!

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Tobias B. Scherer
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Qui 27 Dez 2012, 23:18

Muito bom Ciel... Se me permite... Creio que Misaki vá reviver do mundo dos mortos e matar Paolla, além de todas as demais garotas com que Owen se envolver, talvez ele não saiba disso, talvez saiba... Bem a fic é de terror não é?

No final eles ficariam juntos...ou Misaki o mataria também? Ou eu só to falando asneira? Bem, espero pra ver \o\

____




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Ciel Evans
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Sab 29 Dez 2012, 21:28


Dead !
Meu romance cômico | Terror
post #02

--------------------

Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas a amada já.

Aqueles cabelos longos e brancos não mentiam, era ela. Depois de tantos anos, era ela. Após várias batidas do coração dedicadas a outra garota, ela estava parada na frente do garoto, três anos mais velha, com o mesmo sorriso caloroso, com os mesmos olhos grandes e avermelhados, com a mesma cara inocente que sempre teve. Mas isso não era o mais assustador.

O órgão vital de Owen já batia sem ritmo algum, descontrolado. Seus olhos estavam muito arregalados, algumas veias brotaram na parte branca do globo ocular, as pupilas estavam dilatadas, suas mãos tremiam sem parar e a sua respiração estava acelerada. Ver o corpo dela suspenso no meio da sala de aula foi muito apavorante para ele. Não, não o corpo da Misaki, e sim o corpo de Paolla, seu amor.

Ela vestia uma camisola de renda branca, agora tingida de vermelho, que deixava a mostra suas pernas banhadas de sangue seco. Seu rosto já estava pálido, seus olhos puxados para cima dava medo em qualquer um, sua boca estava aberta e mostrava que a língua tinha sido cortada. O pescoço, por sua vez, estava tão mutilado que era possível ver o esôfago, ou pelo menos quem tinha um pouco de noção nas partes do corpo humano saberia que aquilo era o esôfago.

Uma corda com um nó-de-forca envolvia seu pescoço machucado deixando-a suspensa no centro da sala. Abaixo de seus pés, formou-se uma pequena poça de sangue que escorreu do seu pescoço, percorreu o delicado corpo da garota e pingou no chão. O cheiro era horrível, sem dúvidas, e muitas pessoas começaram a chorar.

Owen, coitado, ficou sem reação. Cerrou seus punhos, segurou o choro por mais um tempo e correu à toa pelo colégio. Poucos minutos depois, três zeladores estavam tirando os alunos de perto da sala enquanto o diretor comunicava a polícia, a qual mandou deixar o local interditado até segunda ordem.

A aula daquela manhã foi suspensa para aquela turma, mas provavelmente teriam de recuperá-la no próximo sábado. O clima tenso se espalhou rapidamente pelo lugar e em poucas horas todos os alunos já estavam sabendo da que Paolla havia morrido.

Sentado em um canto do pátio do colégio, com as mãos apoiadas na cabeça, rosto inchado e olhos avermelhados de tanto chorar, estava Owen. Às vezes ele deixava escapar um soluço em meio ao seu choro.

- Eu ainda te amo, Owen – a voz de Misaki ecoou em sua cabeça.

Ele apertou seus ouvidos com as mãos, uma em cada orelha, e mandou que a garota saísse de perto dele. Mais lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.

- Ei, calma. Pare de chorar!

- Eu já mandei você sair, vadia do inferno!

PLAC. Uma mão feminina veio ao encontro do seu rosto o deixando mais avermelhado do que já estava.

- Não fale assim com quem quer te ajudar – disse uma garota do segundo ano que sentou no seu lado. Ela tinha um piercing no nariz, cabelos escuros e cacheados, pele lisa e bem cuidada.

- Q-quem é você?

- Sou Amanda – ela disse sem olhar para o garoto – Você não parece nada bem.

Ele não respondeu nada, mas Amanda já esperava por isso. Tirou um rabicó cor-de-rosa do bolso e prendeu seus cabelos com um rabo-de-cavalo.

- Você devia amar tanto aquela garota... – pausa – E você já deveria estar em casa, venha.

Ela puxou uma das mãos do garoto, porém ele não teve reação.

- Escute, eu faço karatê, ou seja, te tirar daí pode ser a coisa mais fácil para mim. Sugiro que você tire essa bunda do chão e vá pra casa comigo ou você terá dificuldade de sentar por várias semanas.

♫♪♫♪

- Então, eu estou disposta a ajudar – Amanda disse tirando uma pequena garrafa cheia de água da mochila e entregando ao garoto – Toma um pouco e limpe seu rosto.

Owen obedeceu, pois devia estar com uma aparência horrível, afinal. O garoto abriu a garrafa, fez uma conchinha com a mão enchendo-a de água e a jogou no rosto. Depois se abaixou um pouco para derramar o líquido em seu pescoço. Bem melhor.

Faltavam umas três quadras até que eles passassem na frente da casa de Paolla, contudo a Amanda o fez mudar de direção, pois não queria que o garoto chorasse outra vez – estava sem paciência para aguentá-lo.

O sol estava gostoso e espantava o frio trazido pelo temporal da noite passada, os pássaros cantavam alegremente pousados nas árvores e o ar estava úmido, gostoso para respirar.

- Ajudar com o que?

- Olha, você fala! – brincou – Então, vai ser difícil fazer você acreditar no que vou dizer, mas vamos lá. Minha mãe é uma bruxa, ou melhor, ela é médium. As pessoas mais ignorantes costumam chamá-la de bruxa.

A garota pegou mais alguns prendedores de cabelo e prendeu sua franja para trás enquanto falava.

- Eu acredito que esses sentidos mais apurados de algumas pessoas possam ser passados geneticamente. Hoje eu acho que tive uma prova concreta que também possuo parte daqueles dons.

Owen coçou a cabeça tentando entender aonde que a garota queria chegar com aquela conversa. Apesar de tudo, queria ouvir.

- Eu vi aquela garota de cabelos brancos.

Ele parou. Medo. Respiração profunda, intensa, vagarosa. Pavor. Olhos arregalados. Pânico. Seu coração bateu mais forte. Pavor. “Eu vi aquela garota de cabelos brancos”. Como ela a viu se Misaki era apenas parte de sua imaginação? Quem era aquela garota que estava acompanhando ele? O que estava acontecendo? Ela existe.

- Não tenha medo, ele nos deixa vulneráveis – quando terminou de falar, ela puxou a mão do garoto para que ele continuasse a caminhar, entretanto ele a largou bruscamente.

- Eu sei ir sozinho para casa, obrigado – disse e correu.

- Você não pode se esconder dela para sempre – Amanda gritou antes de dar meia volta e ir para casa.

♫♪♫♪

Seus pais trabalhavam em turno integral, estava; portanto, sozinho em casa. Ainda bem, seria muito desconfortável explicar isso a seus pais. Decidiu tomar um banho para relaxar, mas durante o banho suas lembranças vieram à tona.

Misaki estava lá, não há duvidas. Mas estava diferente, mais velha, assim como ele. Não era só isso, havia mais coisas de diferente nela. O que? Ele não conseguia se lembrar. Sentou-se no chão do box do banheiro e deixou que a água gelada do banho caísse sobre sua cabeça. Fechou os olhos e tentou se lembrar de como sua ex-namorada esquecida pelo tempo estava.

“Fofa, meiga, inocente. Paolla, não... deixe a Paolla em paz.” Murmurou.

Em pouco tempo já se encontrava extasiado, logo não conseguia diferenciar a realidade da sua imaginação. As paredes do banheiro ficaram mais largar, o chão não era maio o mesmo, o cheiro tampouco, ele não estava mais molhado e vestia o uniforme do colégio. Encontrava-se diante de uma porta, a porta da sua sala. Abrir ou não abrir?

- Não tenha medo, ele nos deixa vulneráveis – soou a voz da garota que estava com ele há pouco tempo.

Ela tinha razão, ele não podia ficar com medo. Tomou um gole de coragem e abriu a porta. O cheiro de carne podre entrou em seu nariz implicando desconforto estomacal. Sua mão direita socorreu a barriga para que não vomitasse. No centro da sala estava seu amor coberto de sangue, morta. Segurou o choro, pois era apenas uma lembrança, mas não deixava de ser triste.

Aos poucos, seus colegas começaram a surgir, chorar, se apavorar e o clima tenso se espalhou como se fosse uma epidemia. Uma garota loira de olhos azuis vomitou num dos cantos da sala e foi levada à enfermaria, outras garotas evitaram olhar e as amigas mais próximas da Paolla caíram no choro, abraçadas.

Owen prestou tanta atenção em Paolla que não percebeu que Misaki estava, também, manchada de sangue e segurando uma faca retangular. “Eu ainda te amo, Owen”, ela disse se aproximando do garoto. Os braços da garota albina se abriram – como os de alguém que estivesse esperando por um abraço – e a faca escorregou de sua mão e brandindo no chão. Ela fechou seus lindos olhos vermelhos e fez um biquinho com a boca para receber um beijo do garoto, mas esse correu, correu para lugar nenhum. Correu para fugir da verdade e voltar para a realidade.



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Alicia C. Hills
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Qua 02 Jan 2013, 08:28

Ciel, eu vou te matar -sqn
COMO ASSIM A PAOLLA MORREU E A MISAKI VOLTOU? QUE PROBLEMAS VOCÊ TEM? Ò.Ó -qn
Eles eram um casal tão fofo, seu idiota e.e q

De qualquer jeito, você escreve muito bem. Parabéns -q
Continue a fic, Sr. Evans -qn

____

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Tobias B. Scherer
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Sab 12 Jan 2013, 21:51

Eu sabia MUAHAHAHHAHAHA

Gostei da Misaki...ela parece ser legal

Pois bem, estou esperando o próximo \o\

____




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Samantha Coffey
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Qua 23 Jan 2013, 00:30

Nossa Ci, bela história. Estou realmente sem palavras.

Você escreve muito bem e eu sabia que a Misaki ia voltar... Tipo eu sabia que ela ia fazer algum mal a Paola. Porém não sabia que ela ia matá-la! O.O

Cici que mente essa sua hein? Bem ardilosa... De onde tirou essa idéia?

3 bjs



PS:. responda meu comentário ù.ú
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Ciel Evans
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Seg 11 Fev 2013, 12:56

Eu dei uma mudada no 2cap, então leiam again u-u





Dead!



Marcos e Tereza eram donos de uma grande empresa de tecido, a qual era conhecida em grande parte do mundo. Há quinze anos, quando ainda cursavam administração em uma faculdade de quinta categoria, começaram a namorar, mas sem se desviarem do estudo que era o foco principal.

Não quiseram fazer colação de grau quando concluíram o curso, juntaram dinheiro e decidiram viajar para fora do país, uma vez que ambos falavam fluentemente várias línguas estrangeiras. Dois anos após decidiram montar a empresa que cresceu em um ritmo assustadoramente rápido, sem demoras eles já estavam ricos e bem sucedidos, prontos para ter uma filha.

Paolla, a filha do casal, sempre ganhava o que pedia, não precisava insistir. Mimada desde cedo, adquiriu uma personalidade esnobe e sempre exibia suas bonecas de última linha às suas amigas da escola. Respondona, mal criada, invejosa e boca suja caracterizavam a personalidade da garota, e seus pais não gostavam nada disso.

O seu narizinho empinado foi baixado várias vezes pelo pai, o qual a batia de todas as formas imagináveis a fim de educá-la. A relação familiar entre os dois ficava mais áspera a cada dia, e sua mãe fingia não dar atenção ao que ocorria, pois ela sabia que a personalidade da garota era reflexo da sua criação, visto que raras vezes recebia um “não” como resposta quando era pequena.

Os gritos de dor e o som de cinta batendo em couro no quarto ao lado serviam como canção de ninar para a Teresa. Noites e mais noites, sempre a mesma coisa, sempre os mesmos berros, sempre fingindo que nada estava acontecendo. Ela não queria apanhar do marido também.

Com o passar do tempo o convívio entre eles se tornou mais áspero a ponto de não parecer que eram pai e filha. A garota mudou, deveras, embora para o seu pai ela tenha permanecido a mesma. Ele a comparava como uma das bonecas que tanto comprou para ela quando criança: linda, vazia e descartável.

♫♪♫♪

Aqueles longos cabelos brancos empurrados pelo vento, a pele pálida, corpo flácido e olhos avermelhados gigantescos a deduravam. Era ela. Depois de tanto tempo, tanto tempo que ele mal conseguia lembrar o seu nome, ela apareceu. Mais velha, mas charmosa, elegante, mas continuava sendo apenas sua imaginação.

Ao lado de Misaki encontrava-se outra garota que fez o coração de Owen bater mais rápido, mais forte, desesperado. Sentia seu sangue parar de correr e sua pele empalideceu. Cochichos começaram a tomar conta da sala de aula, gritos agoniavam o clima, lágrimas corriam dos olhos de muitas pessoas, mas o pior de tudo era o cheiro putrefato que se
ergueu.

O clima mórbido se espalhou tão rápido que até parecia uma epidemia. Quem tinha o estomago mais fraco, vomitou. O zelador, juntamente com os demais professores, tentava tirar as crianças das salas de aula, o diretor já havia comunicado à polícia que logo daria as caras por lá. Owen estava em estado de choque, não mexia um músculo se quer.
A camisola de renda branca que Paolla estava vestindo estava encharcada de sangue, suas lindas pernas estavam banhadas de sangue seco, os olhos cor-de-mel estavam deslocados para cima e sua pele estava pálida, extremamente pálida, gélida e dura. Uma corda presa ao teto pendia seu corpo através da garganta, a qual apresentava profundos cortes desuniformes. Sob os seus pés descalços formou-se uma poça vermelha.

A aula daquela manhã foi suspensa para todas as turmas, mas provavelmente teriam de recuperá-la no próximo sábado. Os telejornais, rádios, jornais impressos, internet, todos os meios de comunicação espalhavam a tragédia que ocorreu naquela escola, os pais dos alunos, preocupados, os telefonaram para saber se estavam bem, com Owen não foi diferente.

O garoto não conseguiu ir para casa, sentou no banco da praça mais próxima do colégio e se pôs a chorar. As lágrimas, que dos seus olhos caíam, levavam consigo toda a tristeza, infelicidade e o vazio que a garota deixou. Às vezes ele deixava escapar um soluço em meio ao seu choro.

– Eu ainda te amo, Owen – a voz de Misaki ecoou em sua cabeça.

Ele apertou seus ouvidos com as mãos, uma em cada orelha, e mandou que a garota saísse de perto dele. Isso atraiu olhares curiosos das pessoas que passavam pela praça.

– Ei, calma. Pare de chorar!

– Eu já mandei você sair, vadia do inferno!

O estrondo provocado pelo impacto da mão da garota com a bochecha do menino o trouxe de volta a realidade fria e impiedosa.

– Não fale assim com quem quer te ajudar – disse uma garota do segundo ano que sentou no seu lado. Ela tinha um piercing no nariz, cabelos escuros e cacheados, pele lisa e bem cuidada.

– Q-quem é você?

– Sou Amanda – ela disse enquanto observava as viaturas da polícia local chegarem – Você não parece nada bem.

Ele não respondeu, mas Amanda já esperava por isso. Tirou um rabicó cor-de-rosa do bolso e prendeu seus cabelos com um rabo-de-cavalo.

– Você devia amar tanto aquela garota... – pausa – Eu não gosto de falar com pessoas deprimidas. Venha, vamos caminhar até a sua casa.

Ela puxou uma das mãos do garoto, porém ele não teve reação. Não tinha culpa; afinal, quem não se sentiria assim após ver o amor da sua vida naquele estado?

– Escute, eu luto judô, ou seja, te tirar daí pode ser a coisa mais fácil para mim. Sugiro que você levante essa bunda desse banco e vá pra casa comigo ou você terá dificuldade de
sentar por várias semanas.

♫♪♫♪

– Então, eu estou disposta a ajudar – Amanda disse tirando uma pequena garrafa cheia de água da mochila e entregando ao garoto – Toma um pouco e limpe seu rosto.
Owen obedeceu, pois devia estar com uma aparência horrível, afinal. Ele sentia os olhos arderem de tanto chorar e o tapa que havia recebido ainda ardia em sua bochecha. Abriu a garrafa, fez uma conchinha com a mão enchendo-a de água e a jogou no rosto. Depois se abaixou um pouco para derramar o líquido em seu pescoço.

Faltavam cerca três quadras para que eles passassem na frente da casa da Paolla, contudo a Amanda o fez mudar de direção, pois não queria que o garoto chorasse outra vez – estava sem paciência para aguentá-lo.

O sol daquela manhã estava gostoso e espantava o frio trazido pelo temporal da noite passada, os pássaros cantavam alegremente – se não fosse pelo barulho oriundo dos motores dos automóveis, daria para relaxar – e o ar estava tão úmido que dava prazer em respirá-lo.

– Ajudar com o que?

– Olha, você fala! – brincou – Então, vai ser difícil fazer você acreditar no que vou dizer, mas vamos lá. Minha mãe é uma bruxa, ou melhor, ela é médium. As pessoas mais ignorantes costumam chamá-la de bruxa.

A garota pegou mais alguns prendedores de cabelo e prendeu sua franja para trás enquanto falava.

– Eu acredito que esses sentidos mais apurados de algumas pessoas possam ser passados geneticamente. Hoje eu acho que tive uma prova concreta que também possuo parte
daqueles dons – continuou.

Owen coçou a cabeça tentando entender aonde que a garota queria chegar com aquela conversa. Apesar de tudo, queria ouvir.

– Eu vi aquela garota de cabelos brancos.

Ele parou. Medo. Respiração profunda, intensa, vagarosa. Pavor. Olhos arregalados. Pânico. Seu coração bateu mais forte. Temor. “Eu vi aquela garota de cabelos brancos”. Como ela a viu se Misaki era apenas parte de sua imaginação? Quem era aquela garota que estava acompanhando ele? O que era tudo aquilo?

– Não tenha medo, ele nos deixa vulneráveis – disse puxando a mão do garoto para que ele continuasse a caminhar, entretanto ele a largou bruscamente.

– Eu sei ir sozinho para casa, obrigado – disse e correu.

– Você não pode se esconder dela para sempre – Amanda gritou antes de dar meia volta e ir para casa.

♫♪♫♪

Seus pais trabalhavam em turno integral, estava; portanto, sozinho em casa. Decidiu tomar um banho para relaxar, mas durante o banho suas lembranças vieram à tona.
Misaki estava lá, não há duvidas. Mas estava diferente, mais velha, assim como ele. Não era só isso, havia mais coisas de diferente nela. O que? Ele não conseguia se lembrar. Sentou-se no chão do box do banheiro e deixou que a água gelada do banho caísse sobre sua cabeça. Fechou os olhos e tentou se lembrar de como sua ex-namorada esquecida pelo tempo estava.

“Fofa, meiga, inocente. Paolla, não... deixe a Paolla em paz.” Murmurou.

Em pouco tempo já se encontrava extasiado, logo não conseguia diferenciar a realidade da fantasia. As paredes do banheiro ficaram mais largar, o chão não era mais o mesmo, o cheiro tampouco, ele não estava mais molhado e vestia o uniforme do colégio. Encontrava-se diante de uma porta, a porta da sua sala. Abrir ou não abrir?

– Não tenha medo, ele nos deixa vulneráveis – soou a voz da garota que estava com ele há pouco tempo.

Ela tinha razão, ele não podia ficar com medo. Tomou um gole de coragem e abriu a porta. O cheiro de carne podre entrou em seu nariz implicando desconforto estomacal, sua mão direita foi ao encontro de sua barriga, reconfortando-a. No centro da sala estava o corpo da menina pendido por uma corda com um nó-de-forca em uma das extremidades.
Aos poucos, seus colegas começaram a surgir, chorar, se apavorar e aquela sensação desconfortável que ele havia sentido mais cedo domou o seu corpo. Naquele momento, Owen prestou tanta atenção na Paolla que não percebeu que Misaki estava, também, manchada de sangue e segurando uma faca retangular. “Eu ainda te amo, Owen”, ela disse se aproximando do garoto. Os braços da garota albina se abriram – como os de alguém que estivesse esperando por um abraço – e a faca escorregou dos seus finos dedos e brandiu quando caiu no chão. Ela fechou seus lindos olhos vermelhos e fez um biquinho com a boca para receber um beijo do garoto, mas esse correu, correu para lugar nenhum. Correu de volta para a realidade.





Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já. ▬ Pablo Neruda

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Ciel Evans
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MensagemAssunto: Re: Meu romance cômico   Seg 11 Fev 2013, 13:04







Want U back



Os policiais examinavam atentamente o corpo da garota a fim de procurar alguma pista que apontasse um suspeito. Um mísero fio de cabelo perdido já seria um tremendo auxílio, uma digital, ou até mesmo um hematoma no corpo da garota.

A faca de aço levemente curvada na extremidade pontuda caída no chão foi encontrada por um dos peritos criminais, o qual a observou atentamente por alguns segundos e depois a guardou em um saco plástico.

Profissionais especializados foram escalados para a retirada do corpo da garota e a levarem para estudos. A sala foi interditada e os alunos que nela estudavam foram transferidos a outra sala.
♫♪♫♪
– Por que será que Owen não veio para a aula de hoje? –Um dos seus amigos perguntou enquanto olhava a carteira vazia onde o garoto sentava.

– Será que ele não mudou de escola? Ouvi dizer que muitas pessoas saíram desse colégio depois de ontem. Meu pai também quis me tirar, mas ele não tem como pagar uma escola mais cara e não quer me matricular em uma pública.

– Mas Alice – disse David – Se ele fosse trocar de escola, ele teria avisado algum de nós.

– Alguém manda um sms para ele, talvez esteja abatido demais para vir hoje; afinal, ele amava a Paolla – Diego disse bem baixinho para que ninguém mais, além deles, ouvisse.

– Verdade – concordou Emily – Nós deveríamos vê-lo durante a tarde.

♫♪♫♪

– Filho, por que você não me contou o que aconteceu ontem na escola? – Martha parecia indignada. Seus cabelos estavam bagunçados, pois havia acabado de acordar – Você parece bem abatido, deve ter sido bem chocante.

Owen ainda não havia levantado da sua cama e seus olhos permaneceram fechados enquanto sua mãe falava. O que aconteceu na manhã passada ainda não saíra da sua cabeça, tampouco dos seus sonhos. Foi uma péssima noite para ele.

Martha arrastou as pantufas para perto da cama do filho, sentou ao seu lado e acariciou os cabelos oleosos do garoto. Disse que se ele quisesse poderia faltar à aula, mas só dessa vez. Despediu-se com um carinhoso beijo na bochecha e foi se arrumar para o trabalho.

A manhã passou bem devagar, e Owen continuou deitado até às onze horas quando resolveu tomar banho e comer alguma coisa. Seus passos pesados ecoavam por toda a casa, o chão de madeira estalava de vez em quando, o vento forte da manhã batia algumas portas e seu cachorro, o Tobby, latia do lado de fora.

Quando terminou de tomar banho, jogou a franja para o lado direito, vestiu uma calça jeans escura, um all star e uma camiseta verde escura. Caminhou até a cozinha, cortou um pedaço de pão integral, sua mãe amava tudo que fosse integral, e comeu com achocolatado.

– Cala boca, Tobby! – gritou mal-humorado.

♫♪♫♪

O almoço não foi um dos melhores. Carreteiro. Owen odiava carreteiro. Seu pai voltava para casa às onze e meia e sua mãe ao meio dia. Não tinham muito tempo juntos, uma vez tinha de voltar ao trabalho antes da uma hora da tarde.

Seus amigos almoçaram cada um em sua respectiva casa, exceto por David e Emily que almoçaram juntos em um restaurante pequeno perto do colégio. Eles namoravam há mais ou menos três meses, se conheceram ano passado quando David fora transferido para aquela escola.

Depois do almoço, eles foram para suas casas trocar de roupa, visto que haviam combinado de buscar Owen em casa para animá-lo. Alice era a mais gótica, vestia preto, usava maquiagens fortes e escuras, botas e dois ou três piercings pelo rosto.

Joshua é o mais desleixado, raramente é visto bem arrumado ou mais engomadinho, não tinha um penteado certo, usava bermudas curtas, regatas e algumas vezes camisetas com gola “v”. Era o mais velho, tinha dezessete anos e nunca se preocupava em estudar.

Diego e Emily curtiam rock, vestiam roupas escuras, mas a garota evitava maquiagens. O cabelo dela é ondulado, castanho claro e olhos azuis. Ele, seu amigo de infância, tinha um cabelo volumoso e arrepiado, usava uma munhequeira no pulso esquerdo e tinha leves olheiras por falta de sono.

Quando o relógio marco catorze horas e trinta minutos, Owen estava no seu quarto desenhando um casal do seu anime favorito. Estava com uma aparência melhor: seus olhos não estavam vermelhos, seu rosto não estava inchado, seu cabelo estava penteado. Em compensação, seu quarto estava uma zona só – meninos.

Algumas pedrinhas batiam na janela do seu quarto fazendo um barulho irritante. Ele parou de desenhar para verificar o que estava acontecendo, abriu a janela e avistou seus amigos na frente de casa.

– Ei, Owen, vamos passear? – convidou Alice – Relaxar um pouco, sabe?

Seus amigos podiam jurar que viram um pequeno sorriso tomar conta da boca do garoto. Ele assentiu, se arrumou, pegou o celular e foi passear com seus amigos. Decidiram ir à casa da Emily, pois sua mãe era médica e seu pai era juiz. Já dá pra imaginar a baita casa, não?

Infelizmente, a tarde, que era destinada a diversão, acabou em brigas. Emily tocou em um assunto deveras delicado sobre a garota que morreu, o que deixou Owen triste e deprimido. Brigaram por um motivo bobo, mas foi motivo suficiente para que o garoto levasse um tapa da sua amiga, pois ela ficou chateada por ele ter escondido o tal romance com a garota.

♫♪♫♪

Marcos e Tereza foram convocados à delegacia a fim de responder algumas perguntas que pudessem levantar suspeitos. O delegado era carrancudo, tinha algumas rugas espalhadas ao redor da boca, uma verruga no queixo e era um tanto gordo. Sentou na cadeira próxima ao casal e os fitou por alguns segundos.

O questionário perdurou por cerca de duas horas, o casal revelou que a sua fábrica tinha dívidas trabalhistas pendentes e já fora ameaçada várias vezes caso não pagassem. Portanto eles acreditavam que o assassinato da filha foi obra dos seus antigos funcionários como forma de aviso ao casal.

O delegado compreendeu, embora não houvesse motivos suficientes para culpar os funcionários, tampouco para puni-los. Tereza pôs-se a chorar, perder uma filha é algo muito difícil para superar, principalmente a uma mãe.

♫♪♫♪

A lua repousava por entre as estrelas da noite escura, o vento soprava frio forte enquanto os carros apostavam corrida com ele. Owen já estava deitado em sua cama pronto para dormir, já estava superando a perda, mas havia brigado com uma das suas melhores amigas, infelizmente.

Tudo o que ele mais queria era dormir, seu organismo, contudo, não estava cedendo ao cansaço. Permaneceu deitado por incontáveis minutos até seus olhos fecharem e seu corpo entrar em estado de paralisia. Dormiu. Seus pais logo iriam dormir também.

O vento soprava um pouco mais forte, a janela de vidro começou a tremer, o barulho das árvores balançando e dos galhos mais finos quebrando estavam despertando o garoto do sono profundo. O som de passos vindos do lado de fora do quarto o incomodava. Por que seus pais estariam acordados a essa era?

Os passos ficam mais e mais altos, mais próximos, mas a porta estava trancada, portanto não havia com o que se preocupar. A parte do colchão próximo aos seus pés afundou e Owen estremeceu. Amedrontado, evitou olhar para trás e cobriu o seu rosto com a coberta.

Era difícil evitar o peso sobre o seu corpo. Seu coração bateu acelerado e seus lábios começaram a tremer. Tomou um gole de coragem e espiou por cima da coberta se deparando com a garota. Aquela garota.

O sangue seco no pescoço cortado o fez estremecer. Pele pálida, fria e dura. Paolla estava o observando com um pequeno sorriso cínico. Ergueu seu dedo indicador de forma perpendicular ao lábio dizendo:

– Shh! Não precisa ter medo meu amor, vamos viver juntos no mundo dos mortos.

A mesma faca que utilizaram para cortar o seu pescoço estava, agora, em suas mãos. Ela trouxe a navalha até o pescoço do garoto.

– Não dói nada, eu prometo.





Neste mundo, há coisas que você não pode recuperar não importa o quanto você se esforce. E também há desespero do qual você não pode se livrar. ▬ Ciel Phantomhive

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